Nas instalações próprias de São João da Madeira, o CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal apresentou à comunidade, no dia 19 de fevereiro, os três novos projetos cuja coordenação está sob a sua alçada, dedicados à transferência de conhecimento, à digitalização e à descarbonização, apoiados pelo programa Compete 2030.
Um evento que marcou um novo ciclo de inovação colaborativa, agregando empresas e entidades do sistema científico e tecnológico em prol do desenvolvimento do cluster português do calçado.
São três projetos concebidos no âmbito do programa SIAC – Sistema de Apoio a Ações Coletivas para responderem aos desafios atuais e futuros do futuro da indústria, promovendo a capacitação, a adoção de tecnologias emergentes e a criação de soluções que visem a sustentabilidade económico-financeira e ambiental das empresas.
Através destes três eixos – Conhecimento, Digitalização e Descarbonização – pretende-se impactar transversalmente todo o cluster, inovando-o e tornando-o mais resiliente para os desafios do presente e do futuro.
A sessão iniciou-se com a intervenção de Luísa Correia, diretora-geral do CTCP, que alertou que “estes projetos não são ações isoladas, pretendemos preparar o cluster para os desafios seguintes”, afirmando que “o futuro do setor do calçado constrói-se assim, em conjunto”.
Posteriormente, Carla Leal, do Compete 2030, abordou os SIAC, enaltecendo que “as ações coletivas não são um fim; criam redes e levam ao aumento da produtividade, com foco nas exportações e na inovação”, abrindo a porta, desde logo, para a “possibilidade de abrir uma segunda geração de ações no âmbito da descarbonização” e reforçando o foco atual em “promover projetos com componente de qualificação de recursos com Inteligência Artificial”.
Já Carlos Caldeira, do INESCTEC, debruçou-se na importância da transferência de conhecimento para a indústria portuguesa, com enfoque no setor do calçado, que “tem mantido uma forte colaboração com a academia e centros de investigação, que ajuda as empresas a crescerem”. “É dos setores que faz melhor proveito dos fundos europeus, um setor muito tradicional que conseguiu desenvolver um roadmap a nível nacional e internacional. Se há um setor que tem compreendido e executado bem as ações coletivas é o do calçado – de forma eficiente”, elogiou.
Seguiu-se, por via de três especialistas do CTCP, a apresentação dos três projetos: Knowledge in Motion – Driving the Footwear Industry (Conhecimento); ShoeTech Low CO2 – Descarbonizar o Cluster de Calçado e Moda (Descarbonização); e Step2Digital – Transformação Digital do Cluster do Calçado, Componentes e Artigos de Pele (Digitalização).
Antes do encerramento, mesa-redonda com moderação de Sofia Fernandes.
João Maia (APICCAPS) apontou os recursos humanos como o “ativo mais ‘crítico’ para as empresas”, garantindo ser “mais fácil substituir uma máquina do que um colaborador”, e referiu que o “desenvolvimento tecnológico deve aportar um melhor ambiente” para as empresas do setor.
Ana Maria Vasconcelos (Belcinto) afirmou que “o nível de conhecimento traz cada vez mais desafios” e que os colaboradores “aprendem tecnologia mais rápido do que o conhecimento em fazer uma mala ou um sapato”, lembrando que “há muito trabalho a fazer e que ainda agora começamos”.
Telmo Fernandes (Savana) assegurou que “as mais dificuldades para a segunda geração de líderes e funcionários é ganhar credibilidade e conhecimento técnico”. “Para saber ‘mandar’ é preciso saber-fazer e uma das minhas preocupações é saber como se fazia e como se faz agora, com as novas tecnologias”, partilhou.
Pedro Félix (CosmiKnit) deu o exemplo da sua empresa, “mais tecnológica e com uma equipa muito jovem”, opinando que “ainda faltam sinergias entre a academia e a indústria”.
Para encerrar o evento, tomou da palavra João Oliveira, presidente da Câmara Municipal de São João da Madeira. Parabenizou o CTCP “pela constante inovação e dinamismo”, alertando para a importância da indústria “em prol da economia”. “Calçado está na génese de São João da Madeira e estes três eixos são extremamente importantes. Temos de estar ao lado da indústria do calçado, dos empresários e abrir as portas às empresas de base tecnológica”, concluiu.
Conhecimento | Digitalização | Descarbonização
Knowledge in Motion – Driving the Footwear Industry (Conhecimento)
Contribuirá para uma fileira de referência mundial, assente numa estratégia de desenvolvimento, no conhecimento e na inovação, focada nos domínios da transição digital e verde dos materiais, sistemas e tecnologias de produção. Permitirá a valorização, transferência e difusão de novos conhecimentos para o cluster, sobre novos materiais e processos de pouco impacto ambiental, assim como novos conceitos de produtos pensados para fomentarem a circularidade; novas tecnologias e aplicações ágeis e flexíveis; e a criação de uma rede de vigilância tecnológica para desenvolver novas ideias e novos projetos.
Step2Digital – Transformação Digital do Cluster do Calçado, Componentes e Artigos de Pele (Digitalização)
Visa acelerar a transição digital e verde do cluster, promovendo a adoção de tecnologias IoT, IA, digital twin e robotização, através da execução de diagnósticos, capacitação técnica, demonstração tecnológica e desenvolvimento de ferramentas estratégicas. Concentrado nas PME das regiões norte e centro, objetiva reforçar a maturidade digital, a eficiência energética e a sustentabilidade industrial. Alinhado com as políticas públicas nacionais e europeias, posiciona a digitalização enquanto vetor central da competitividade industrial.
ShoeTech Low CO2 – Descarbonizar o Cluster de Calçado e Moda (Descarbonização)
Catalisador para transformar as PME do cluster, incentivando a adoção de novas tecnologias e a otimização de processos para reduzir as emissões de GEE, diretas e indiretas, promovendo a transição para a neutralidade carbónica. Contribuirá para o fomento da inovação, aumento da competitividade e melhoria do posicionamento estratégico das empresas do cluster.
