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Que novos caminhos para a indústria de calçado?

terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Conferência "Novos Caminhos na Indústria de Calçado"
Que novos caminhos para a indústria de calçado?


Que novos caminhos para a indústria de calçado? Que futuro está reservado? De que forma Portugal se pode posicionar internacionalmente para fazer face aos novos desafios? A sustentabilidade será um dos enfoques dos próximos anos? Estas foram algumas das perguntas que serviram de mote para a conferência "Novos Caminhos na Indústria do Calçado", organizada pelo "Jornal de Notícias" e pela APICCAPS, que se realizou em dezembro.

Com o Palácio do Freixo, no Porto, como cenário de fundo, a conferência colocou em discussão o passado, o presente e o futuro da indústria portuguesa de calçado. Para João Maia, diretor-geral da APICCAPS, “existem, atualmente, em Portugal 1500 empresas ligadas ao calçado, que empregam cerca de 40 mil pessoas e dispõem de 140 milhões de euros no Plano de Recuperação e Resiliência para apoiar projetos".

Além disso, lembrou Diogo Agostinho, então administrador do Global Media Group, que “o setor do calçado gera 2.000 milhões de euros de negócios" e deve ser encarado como "pujante e dinâmico por excelência", até mesmo como um "exemplo a seguir”.

Maria José Ferreira, diretora de investigação e qualidade do Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), por sua vez, apresentou as diretrizes principais do projeto BioShoes4All, assente em cinco pilares: biomateriais, calçado ecológico, economia circular, tecnologias avançadas de produção, e formação e promoção.

Com um orçamento de 80 milhões de euros, o BioShoes4All pretende ser a "base para grandes mudanças no setor" e para a afirmação de Portugal no estrangeiro. Sempre com a sustentabilidade como ponto principal na filosofia de atuação das empresas.
Ao todo, revelou Maria José Ferreira, estão a ser desenvolvidos 50 novos produtos e 20 linhas industriais no âmbito de um consórcio que agrupa 70 parceiros. "O objetivo é contribuir para que o calçado português e as suas empresas liderem soluções sustentáveis a nível global", apontou a responsável do Centro Tecnológico.

Uma nova geração de produtos
“Uma nova geração de produtos” foi o mote do primeiro painel da tarde. Exclusivamente no feminino, as quatro responsáveis de empresas nacionais explicaram de que forma têm implementado algumas destas inovações nas suas empresas, tendo em vista a modernização e os cuidados ambientais.
É o caso da Savana, que, como descreveu, Luísa Silva, criou "um sapato sustentável sem atacadores assente em revestimento de bambu, palmilha de cortiça com casca com espuma reciclável e corte feito com casca de maçã, destinado a crianças invisuais e com inscrição em braille, que se junta a outros do género, como os pensados através do reaproveitamento de sacos de café”.

Joana Meireles, da Atlanta, frisou que as "boas práticas ambientais são cada vez mais tidas em conta pelos consumidores" e que esta empresa de solas se destaca por "utilizar produtos com pouco impacto" na natureza e por reforçar tais políticas com processos como a reciclagem interna.

Por outro lado, Luísa Sousa, diretora-geral da Monteiro Footwear, do Grupo Monteiro Ribas, apresentou um “projeto de sucesso inovador" que implicou a criação de calçado que aproveita resíduos de casca de castanha e caroços de azeitona.

Filipa Couto, da Trofal, lembrou que a sua empresa foi pioneira na "utilização de peles curtidas em base vegetal e de solas à base de água" e que continua a defender que a pele é a melhor matéria-prima para a produção de calçado.

Geração 5.0
Quem são os novos rostos da indústria? Numa altura em que tanto se fala da importância das pessoas na indústria, com projetos como o industry 5.0, ESG, etc., o objetivo do painel foi conhecer três jovens que já estão “com as mãos na mesa”, e perceber como Portugal se pode posicionar internacionalmente face aos desafios que são colocados à indústria.

Alexandre Pimenta, da Solpré, Joana Esteves da Josefinas e Pedro Abrantes d’ As Portuguesas foram os rostos e as vozes da nova geração que está agora na indústria.

Na Solpré adota-se um "nível de exclusividade com o cliente assente no compromisso ambiental”, conforme explicou Alexandre Pimenta, o CEO da empresa. Por outro lado, Pedro Abrantes, fundador d’ As Portuguesas, lembrou o exemplo feliz que se traduziu na ideia de lançar calçado de "sola de mistura de cortiça com borracha", que se tornou um sucesso de vendas em 36 países. Já a Josefinas quer, desde o dia 1 "ajudar a construir sonhos" e destaca-se por "apostar na sustentabilidade social", nomeadamente na "perpetuação da arte dos nossos mestres sapateiros", revela Joana Esteves. A juntar a esta característica, a marca de sabrinas tem vários projetos sociais e tem como grande objetivo ajudar a empoderar mulheres um pouco por todo o mundo.

Comunicar para a sustentabilidade
António Custódio, Irina Chitas e Joana Jorge, da Moda Lisboa, apresentaram Boas Práticas de Comunicação, onde apresentaram várias estratégias que poderão ser fundamentais a curto e médio prazo para que o calçado nacional tenha maior projeção planetária.

"Falar menos, mas de forma concisa e transparente é fundamental", assinalaram. Daí a necessidade de encontrar estratégias novas e velozes para alcançar grandes massas de consumidores. Estas passam por um processo de partilha das marcas assente em três ideias: "o conhecimento, o objetivo e o público-alvo". Tal irá criar "uma identidade de marca, que a potência e diferencia" e que poderá fazê-la vingar num mercado crescentemente competitivo em que a indústria do calçado nacional quer continuar a ganhar espaço e mercado.

Um de nós
A conferência fechou com a apresentação da nova campanha Portuguese Shoes para 2024, pela voz de Paulo Gonçalves.
Destiny, 28 anos modelo e poeta. Yuri, 64 anos, modelo e pintora. Peter, 62 anos músico e modelo. Heidi, 21 anos, atriz e manequim. São estes os protagonistas da nova campanha Portuguese Shoes. Fazem parte dos 80 milhões de pessoas que todos os anos compram e usam calçado português nos cinco continentes. E é isso que os torna comuns. São um de nós.

A indústria do calçado apresenta ao mundo One of Us, a nova campanha de promoção nos mercados internacionais. Pela lente de Frederico Martins, styling de Fernando Bastos Pereira, produção de Snowberry e o apoio do PRR, a nova campanha tem como objetivo agregar todas as pessoas num amor comum: os sapatos nacionais.

Uma coisa é certa: o futuro constrói-se com passos firmes. E há dois ingredientes fundamentais: por um lado, a aposta na sustentabilidade ambiental em toda a cadeia de valor e a criação de condições favoráveis para a consolidação da posição de Portugal no contexto de internacionalização de uma área da economia com potencial de crescimento e em constante processo de inovação.

Fonte: APICCAPS
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