O CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal esteve presente na DPP Summit, em Guimarães, no dia 28 de janeiro, através de Vera Vaz Pinto, responsável pelo departamento de Investigação Colaborativa e Políticas Sustentáveis, um evento – organizado pela GreenTech Lab, liderada pela Aliados Consulting – que esgotou o auditório do instituto CCG/ZGDV, centro de investigação aplicada da Universidade do Minho.
Empresas dos setores têxtil, calçado, construção, cerâmica e metalomecânica participaram numa tarde importante para discutir a divulgação e aplicação do Passaporte Digital do Produto (PDP) no seio empresarial.
Segundo a entidade organizadora, as empresas “estão em estágios muito diferentes: algumas – em especial as de grande dimensão – já estão digitalizadas, recolhendo e gerindo os dados de cada produto; as com menos recursos e pouco cientes das legislações estão ainda a mapear que dados existem e onde”.
Conclui-se que o PDP “não é uma solução standard aplicável da mesma forma a todos os setores; cada indústria tem critérios de recolha de dados específicos, cadeias de valor diferentes e prioridades distintas”, o que “significa que a interoperabilidade entre setores não é apenas um desafio técnico – é estrutural”. E ainda que os centros tecnológicos e as associações setoriais “têm muito trabalho pela frente no apoio às PME”.
Não obstante, regozija-se a ‘obrigatoriedade’ que o PDP aplicará na organização dos dados que muitas empresas nunca estruturaram. “Responder a clientes sobre a origem dos materiais, perceber onde existem ineficiências na cadeia e justificar alegações de sustentabilidade é trabalhoso, mas não é só burocracia – é competitividade”.
Vera Vaz Pinto abordou e elencou os desafios associados à introdução do PDP na indústria portuguesa do calçado: complexidade e fragmentação da cadeia de abastecimento; a dimensão das empresas, maioritariamente PME, com recursos mais limitados, sendo necessário maior apoio; a maturidade digital das mesmas; e a adaptação dos fluxos de trabalho.
Em suma, assegurou ser necessária uma “reengenharia dos processos internos”.
Para a investigadora, dadas as especificidades do setor, “uma abordagem setorial fará mais sentido”, em vez da adoção de um modelo transversal, recordando os presentes que a complexidade associada à cadeia de abastecimento do cluster do calçado “dificulta a rastreabilidade”.
Não obstante, deu o exemplo da agenda BioShoes4All, que visa, também, a implementação e a promoção da rastreabilidade e da circularidade na indústria portuguesa do calçado e a sua preparação para o PDP.
CTCP tem disseminado conteúdos alusivos à temática supramencionada, nomeadamente os vídeos ‘Platforms for Traceability and Circularity’ e ‘Every Shoe Will Have a Digital Passport – Here’s Why’.

Fotos: Aliados Consulting