Uma problemática que por vezes assola as empresas familiares e à qual a APICCAPS, em parceria com o CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, procura responder e mitigar em prol da sustentabilidade empresarial do setor do calçado.
Uma sucessão deficitária em empresas de cariz familiar pode constituir problemas na gestão e levar a um ponto de insustentabilidade económico-financeira, culminando no encerramento da atividade.
No sentido de 'combater' preventivamente a questão, a associação portuguesa do calçado apresentou, no CTCP de São João da Madeira, no dia 16 de julho, o estudo Sucessão nas Empresas Familiares, um documento que visa apoiar as organizações deste cariz na transição de liderança e propriedade.
Coordenado por Luís Todo Bom, professor, consultor e administrador, referência em Portugal nas áreas de gestão estratégica, governação empresarial e empresas familiares, o estudo propõe uma abordagem estruturada para assegurar a continuidade, a competitividade e a criação de valor das organizações ao longo das gerações.
Após 52 entrevistas realizadas a fundadores, gestores e sucessores da indústria portuguesa do calçado, o guia identifica práticas de referência, nacionais e internacionais, analisa os principais desafios enfrentados pelas empresas familiares e apresenta recomendações práticas que facilitem processos de sucessão bem-sucedidos.
“Vivemos momentos críticos e criámos este guia para ajudar as empresas em temas que normalmente falham. A APICCAPS está de parabéns. Preocupa-se com o futuro do setor e das empresas. É um estudo com uma metodologia prática e com conclusões suportadas numa amostra significativa e representativa”, contextualiza o autor.
“Os próximos 20 anos serão mais complexos do que os últimos 20. Os fundadores deste setor fizeram um trabalho fantástico, muitas vezes partindo do zero. A nova geração tem de aceitar os novos desafios – e os desafios são ótimos”, prossegue.
Refere que “os maus processos de sucessão são a maior causa para a destruição das empresas” e, perante um auditório composto por fundadores, atuais gestores e eventuais sucessores, deixou um apelo. “Preparem a sucessão das vossas empresas”.
Posteriormente, apresentou detalhadamente o guia, abordando todas as fases pelas quais os quadros de chefia das empresas devem reger-se para adotarem e implementarem um processo de sucessão bem-sucedido.
Terminada a intervenção de Luís Todo Bom, seguiram-se comentários e conclusões de Alberto de Castro, professor da Universidade Católica há várias décadas ligado a estudos sobre o setor do calçado. “É um trabalho pioneiro e importante. As empresas não nascem para morrer, nascem para crescer. Muitas vezes, o problema não está na base, está no topo e por insuficiência de gestão. As empresas devem ter pessoas à frente que estejam à vontade no mundo. Este estudo chama para a atenção de situações que tinham sido postas de lado e às vezes é preciso pôr o dedo na ferido”, referiu.
Para concluir a sessão, mesa-redonda moderada por Debora Sá, composta por Alexandre Carneiro, que representa a quarta geração da empresa Abílio P. Carneiro; Alexandre Pimenta, da segunda geração da Solpré; e Manuel Proença, fundador do Grupo Hoti Hotéis.
Partilharam as respetivas histórias no mundo empresarial e os capítulos que envolvem a sucessão, regozijaram a iniciativa da APICCAPS e elogiaram o guia da autoria de Luís Todo Bom. Em comum, referiram a gestão dos recursos humanos como uma problemática transversal à gestão.
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