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O sector do calçado na Índia

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
O sector do calçado na Índia


 Banca, construtoras e tecnológicas "lideram" a comitiva empresarial que segue Cavaco Silva até à Índia, mas é o calçado o grande investidor. Depois da Aerosoles é a vez da Jefar construir uma fábrica também em Chennai.
O calçado português foi o primeiro a descobrir a Índia. Os dois maiores grupo do sector - Aerosoles e Jefar - já têm fábricas em Chennai.
A unidade da Jefar, actualmente em construção, deverá entrar em funcionamento no próximo mês de Maio com uma linha de montagem de calçado, estando previstas mais duas linhas (tendo ainda capacidade para mais quatro). Nesta fase inicial a fábrica irá empregar entre 120 a 150 pessoas. Eugênio Faria, presidente do grupo Jefar, disse ainda ao Jornal de Negócios que há já quatro anos que o grupo importa da Índia cerca de 70% das gáspeas (parte superior de um sapato), que depois são montadas em Portugal. O destino são sobretudo os mercados alemão, francês e inglês. E subcontrata também sapatos completos, desde Novembro de 2005, a uma fábrica local (700 pares por dia) para responder às encomendas da multinacional britânica Clark (que abandonou a produção grandes clientes).
"Na Índia encontrá-de-obra", justificou Eugênio Faria, sem referir o montante do investimento. Mas apontou a facturação de 2006, com o grupo de Felgueiras a atingir os 30 milhões de euros.
Por seu lado, a Aerosoles conta ter 20% da produção total na Índia num prazo de tempo relativamente curto. Actualmente, apenas com uma fábrica própria e a aquisição de outra em fase de conclusão, a Índia representa 5% da produção.
O grupo liderado por Artur Duarte que integra a comitiva empresarial do Presidente da República, foi o primeiro a descobrir o potencial da Índia. Começou por subcontratar a produção de um componente (gáspeas), mas avançou para a construção de uma fábrica de raiz. Assim nasceu a Calsea, em Chennai, que começou a produzir calçado completo em Abril de 2006.
Entretanto, o grupo de Ovar passou a gerir (mediante um contrato de exploração) uma segunda unidade na Índia, exclusivamente dedicada à produção de solas, prevendo finalizar este mês o processo de aquisição plena. Nas duas empresas, a Aerosoles investiu 3,5 milhões de euros e conta com o calçado de fabrico indiano para reconquistar o mercado dos Estados Unidos, onde a produção "nade in Portugal" não tem preço competitivo.
Os pontos fortes da Índia são, segundo Artur Duarte, "a facilidade de comunicação em inglês, a disponibilidade de mão-de-obra qualificada, quer de quadros quer de trabalhadores, e o custo da mão-de-obra, que está ao nível da China".
Segundo Artur Duarte, o grupo Aerosoles facturou cerca de 100 milhões de euros em 2006, incluindo produção industrial e rede de lojas.
O grupo Kyaia, apesar de não ter fábrica na Índia, também subcontrata produção naquele país há sensivelmente dois anos. Fortunato Frederico, presidente do grupo de Guimarães, já vende a marca própria Fly London no mercado asiático, com destaque para a China, daí o recurso à produção indiana para obter maiores ganhos.
 

Fonte: Jornal de Negócios,10.Jan.07
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