A marca, formatada em 1989 para o pé português, adaptou-se para conquistar os europeus. Aos 20 anos, a Yucca decidiu arriscar o salto para a internacionalização, com uma nova versão dos seus sapatos, apresentada como “mais flexível e confortável”.
Aos três modelos iniciais criados na fábrica Portuguesa Armando Silva, junta-se, agora, uma nova proposta, com palmilha anatómica em latex, desenvolvida na empresa durante mais de um ano. “O objectivo é correr mundo”, refere ao Expresso o administrador Manuel Silva, explicando que uma das principais dificuldades no desenvolvimento da forma ideal para o novo sapato “foi aumentar a base da versão anterior sem alterações visíveis para o cliente”.
Uma das exigências deste trabalho foi respeitar o conservadorismo dos clientes dos modelos clássicos, com berloque ou pala lisa da linha Yucca, líder nacional no segmento de sapatos de executivos.
Vendidos em caixas verdes, acompanhados de sacos de flanela e calçadeira própria, e de anúncios que juntam a fotografia do antigo presidente norte-americano J. F. Kennedy à frase “ American Style” (estilo americano), estes sapatos de fabrico semi-manual saem ao ritmo de 15 mil pares por ano. Com a inovação, a empresa prevê aumentar as vendas em cinco mil pares já no arranque, em Portugal.
Mas a Yucca está, também, a avançar em Angola e Moçambique, a conquistar clientes no Norte da Europa, na Holanda, Dinamarca e Bélgica, e a penetrar em Espanha, através do El Corte Inglés, que já comercializava a marca em Portugal.
Esta estratégia, coincidente com o ciclo de abrandamento no mercado interno e de crescimento nas exportações da indústria portuguesa de calçado, aproveita a rede comercial que já trabalha com as marcas Armando Silva e Gino Bianchi, da mesma empresa.
Com vendas na ordem dos €5 milhões, a empresa tem nas linhas clássicas da marca Armando Silva, criada há 40 anos, o seu principal segmento de negócio e vendas superiores a 30 mil pares por ano, somando entre os seus clientes políticos como o Presidente da República, Cavaco Silva, e o seu antecessor, Jorge Sampaio. Mas a Gino Bianchi, lançada em 1995, num nicho de design mais vanguardista é, actualmente a mais internacional e cara das suas marcas, contribuindo com 20 mil pares.
Para ocupar a linha de produção, onde trabalham 90 pessoas, e compensar quebras de sazonalidade, a empresa dedica 20% da produção a outras marcas, designadamente alemãs.
Ao todo, a fábrica em S. João da Madeira produz mais de 200 modelos por estação e tem, quase em permanência, um cortador e uma gaspeadeira a fazer amostras para diferentes mercados e clientes. Também faz sapatos por medida.
Uma das prioridades da direcção é proteger as suas marcas, em especial a Yucca, que várias empresas nacionais e estrangeiras têm tentado usar, até em linhas de roupa, mas também a pioneira Gazela, que a Adidas quis registar na Europa.