A aproximar-se do 50.º aniversário, a Armipex aproveita o apoio da agenda mobilizadora FAIST – Fábrica Ágil, Inteligente, Sustentável e Tecnológica, coordenada pelo CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, para impulsionar a próxima fase de produção automatizada.
Fundada em 1977, industrializou os seus processos produtivos no início da década de 80, introduzindo linhas de montagem em 1985. Foi uma das primeiras empresas do cluster a adotar a tecnologia CAD/CAM, em 1988, implementando, a partir de então, uma postura direcionada para a automação e robótica. Sistemas avançados como o design 3D e o corte automatizado reforçaram essa estratégia.
Para Armindo Peixoto, CEO da Armipex, a inovação é essencial para o setor do calçado e a tecnologia a única forma de ultrapassar a escassez de mão de obra e de manter a competitividade no panorama global do setor.
Armipex no FAIST
No âmbito do projeto FAIST, a Armipex estabeleceu parcerias com duas empresas: Olifel, desenvolvedora de software, e DCSI Pro, que oferece ao mercado soluções de automação e robótica.
“O papel do parceiro de software é garantir a continuidade e a melhoria dos processos de gestão da produção, criando ferramentas cada vez mais fáceis de controlar e responsivas”, explica Armindo Peixoto.
Assim, Armipex adotou a plataforma integrada da Olifel que combina planeamento, prototipagem, logística e rastreio em tempo real num único sistema. Em suma, reúne ferramentas de planeamento baseadas em IA e RFID, ligando toas as etapas da linha de produção – desde o desenvolvimento da amostra até ao envio – num ambiente unificado e orientado por dados.
“Estamos a colaborar com o parceiro DCSI Pro no desenvolvimento de uma linha de produção integralmente automatizada para um produto específico”, detalha o CEO da Armipex.
Trata-se de uma solução de duas partes. A primeira é uma célula robotizada de seis eixos que combina martelagem, desbaste e colagem numa única estação de pré-montagem: utiliza ferramentas como RFID ou visão 3D para identificar modelos e gerar automaticamente as trajetórias para o robô. A segunda é uma plataforma de validação robótica que permite simular e testar processos automatizados de produção de calçado em ambiente controlado.
Resultados do FAIST
Armindo Peixoto regozija o FAIST ter-se revelado “uma fonte indispensável de apoio” que “impulsiona os que têm coragem, os que são inovadores e os que são ousados”.
A estação robótica é um equipamento flexível que pode ser utilizado tanto na produção de calçado com injeção direta como na produção de calçado colado, ou seja, trata-se de um impacto significativo na flexibilidade da empresa.
Paralelamente, a estação de testagem de ferramentas robóticas facilita uma rápida validação de processos robotizados e ainda a calibração para novos modelos ou novos tipo de calçado sem a necessidade de interromper outras linhas. Também acelera o desenvolvimento de linhas de produção automatizadas, o que leva ao aumento da contratação de colaboradores altamente qualificados.
A plataforma digital complementa e possibilita um ambiente de fabrico orientado por dados com maior eficiência e menos erros.
Fonte: World Footwear
Foto: DR