Está traçado o plano que deverá evitar a falência da maior empresa portuguesa do calçado. Prevê uma nova marca, a entrada de novos accionistas, a abertura de novas lojas e o reforço de capital suficiente para manter as fábricas e os empregos.
Ainda em Maio estava a ser trabalhada uma solução com a dona da marca Aerosoles, o grupo norte-americano Aerogroup, mas diferenças básicas (como a imposição de vender ou fechar as quatro fábricas) ditaram o fim da parceria.
A Investvar, dona da Aerosoles em Portugal, denunciou o contrato que lhe permitia usar a marca e descartou os norte-americanos como futuros accionistas. Em alternativa, já tem uma nova marca, a Move On, que chegará às lojas em Fevereiro ou Março do próximo ano, com a colecção de Primavera/Verão, disse o presidente, Pedro Ribeiro da Cunha.
O gestor admite que outra empresa possa recuperar a marca Aerosoles em Portugal, mas diz não recear a concorrência e que o dinheiro de "royalties" antes pago aos norte-americanos servirá para promover a Move On e abrir novas lojas. E, pelo menos nos próximos anos, vai manter o estilo de "casual confort" a que a Aerosoles está conotada, admitindo até criar uma linha para homem, que o Aerogroup tinha proibido.
Se os americanos queriam acabar com a produção, já Ribeiro da Cunha admite vender as duas fábricas de Castelo de Paiva, onde trabalham 200 pessoas. A decisão ainda não é final, mas o gestor compromete-se a encomendar às duas unidades (uma de solas e outra de sapatos) material suficiente para as sustentar o tempo necessário para que encontrem novos clientes. As restantes fábricas serão mantidas, quer em Portugal, onde se fazem as encomendas mais pequenas, quer na Índia, onde se produzem as séries maiores, com mais mão-de-obra.
Já na parte comercial, o grupo planeia acrescentar lojas às 120 que tem hoje, num conjunto grande de países. Está previsto abrir espaços próprios e, principalmente, admitindo novos franchisados, adiantou Ribeiro da Cunha.
Dos 20 milhões de euros de ajuda prometidos pelo Governo, ainda não foram entregues cinco milhões pelos accionistas que representam o Estado, o AICEP e a InovCapital. Esse dinheiro mais a conversão em capital de parte da dívida à Banca, que ascende a 40 milhões de euros, ajudará a manter a tesouraria até à entrada de novos accionistas, com quem Ribeiro da Cunha ainda está a negociar. "A minha convicção é que participarão no capital de forma suficiente para que a empresa tenha recursos financeiros que lhe permitam continuar no mercado".
Sem adiantar mais informações sobre o assunto, o presidente disse ao JN que, "em princípio", os accionistas serão portugueses e que a sua entrada irá aumentar o capital social da empresa dos actuais 11 milhões de euros para algo entre os 50 e os 60 milhões.
A empresa espera, assim, conseguir os recursos financeiros suficientes para contrabalançar o prejuízo de 41 milhões de euros, do ano passado e recuperar o maior grupo nacional do calçado, atingido em cheio pela crise da Marks & Spencer, de quem era uma grande fornecedor.