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França reforça apoio à reciclagem de têxteis

Há um pacote de 49 milhões de euros, anunciado pela ministra francesa da Transição Ecológica, para apoiar a fileira daquele país face à agitação no mercado de recolha e triagem de têxteis e vestuário usado.

“O objetivo é consolidar a economia da recolha, triagem, reutilização e reciclagem em território nacional, reforçando a capacidade de gestão de têxteis usados”, refere Agnès Pannier-Runacher.

Um apoio cuja verba será reforçada em 2026, passando para os 57 milhões de euros: anúncio feito pela ministra após uma série de protestos por parte das empresas do setor.

Segundo o princípio ‘poluidor-pagador’, que torna os produtores e distribuidores responsáveis pelo fim de vida dos produtos que colocam no mercado, existe uma contribuição sobre cada artigo vendido para financiar a recolha e valorização das peças quando o consumidor as descarta.

A entidade que recolhe esta contribuição em França, a Refashion, entrega-a posteriormente à fileira de triagem de vestuário. Um valor que, até então, era de 156 euros por tonelada.

Com a Le Relais, principal empresa de recolha e triagem têxtil do país, a exigir um aumento, para 304 euros por tonelada, o Governo francês anunciou acedeu, ainda que não atinja o valor desejado: o montante atribuído por tonelada é, em 2025, de 223 euros – e será de 228 euros em 2026.

“É preciso estruturar e massificar mais materiais [têxteis] e assegurar os investimentos em ferramentas industriais”, reconhece a ministra.

A França, nação que é destaque a nível europeu e mundial em termos de valorização de resíduos têxteis, tem sentido a sua fileira ameaçada por países asiáticos, tendo como primeira consequência o encerramento de múltiplos pontos de recolha de vestuário e calçado.

A Refashion – que tem a missão de acompanhar a transição da indústria da moda para uma economia mais circular, atribuída pelo Governo francês – sublinha “a queda abrupta dos preços de exportação dos têxteis usados triados, maioritariamente em África”, uma vez que os clientes africanos viram-se cada vez mais para vestuário proveniente da Ásia.

Todos os anos são recolhidas, em França, cerca de 270 mil toneladas de resíduos têxteis e “60% dos produtos triados” são revendidos em lojas de roupa em segunda mão, dos quais 90% no estrangeiro – segundo o relatório de 2023 da Refashion.

Fonte: Portugal Têxtil

Data Publicação: terça-feira, 29 de julho de 2025
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