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Formação do CTCP sobre a técnica gainerie dá origem ao Pin:Pin

Jogo lúdico, objeto utilitário ou decorativo e escultura

Formação do CTCP sobre a técnica gainerie dá origem ao Pin:Pin

É multifuncional e está a encantar a crítica, tendo inclusive conquistado o 1.º lugar da Open Call de Criativos, Designers e Marcas de 2025, da Fundação Serralves. E não seria possível sem a formação ministrada pelo CTCP – Centro tecnológico do Calçado de Portugal sobre a técnica gainerie. Criado por Stéphanie Branco, arquiteta e designer de calçado e marroquinaria, fundadora da marca ASA Leather Work, o Pin:Pin é um objeto híbrido, modular e multifuncional. Pode ser um jogo lúdico, um objetivo utilitário e decorativo ou uma escultura.

Enquanto jogo lúdico, cada peça possui uma cor diferente, que simboliza uma emoção – alegria, amor, tranquilidade, confiança, mas também tristeza, ansiedade, raiva e vergonha – e torna-se um ‘intermediário’ para encetar conversas entre pais e filhos, pares ou amigos. Cada peça, individualmente, assume-se ainda como um objeto funcional e decorativo, podendo ser utilizada como um vaso, um organizador de secretária, um porta-lápis ou… tudo aquilo que a imaginação fluir. Pode ser alterado, inclusive, diariamente enquanto elemento escultural e evolutivo, adaptando-se a todos os humores dos seus utilizadores.

O Pin:Pin é formado por peças geométricas impressas em 3D, com filamentos vegetais e ligados entre si por um sistema magnético. São revestidas manualmente com couro, utilizando uma técnica denominada gainerie, que consiste em aplicar pele num objetivo rígido sem serem percetíveis as suas junções.


“Nasce de uma inquietação. É uma tentativa de reaproximar as pessoas”

Stéphanie Branco, arquiteta e designer de calçado e marroquinaria, é a fundadora da marca ASA Leather Work, sendo a criadora do Pin:Pin, que esclarece ter nascido de uma “inquietação”, sendo uma “tentativa – modesta, mas significativa – de reaproximar as pessoas”. Considera a formação ministrada pelo CTCP sobre a técnica gainerie “fundamental” e pioneira.

Qual a fonte de inspiração que a levou a criar o Pin:Pin?

Mais do que um objeto, é um gesto simbólico. Vivemos tempos paradoxais, estamos permanentemente ligados pela tecnologia, mas tantas vezes desligados emocionalmente – até dentro das nossas casas. O Pin:Pin nasceu desta inquietação. É uma tentativa – modesta, mas significativa – de reaproximar as pessoas. Um convite à partilha de emoções no seio da família, especialmente entre pais e filhos, sem julgamentos, sem pressa. Inspirado numa memória pessoal – o primeiro peluche da criadora, um coelhinho chamado ‘Pin:Pin’, diminutivo de lapin [coelho, em francês] – o objeto transforma essa afetividade numa ideia com forma: peças geométricas desenhadas numa grelha de 5x5cm, inspiradas no movimento Bauhaus. Cada peça é leve, segura, durável e liga-se por ímanes discretos; e representa uma emoção – alegria, amor, tranquilidade, confiança, mas também tristeza, ansiedade, raiva e vergonha. Funciona como uma espécie de ‘alfabeto escultórico’ que promove empatia e compreensão.

Sucintamente, em que consiste o Pin:Pin? Como pode ser utilizado?

É um objeto híbrido, modular e multifuncional. Pode ser um jogo lúdico, um objeto utilitário e decorativo ou uma escultura. É formado por peças geométricas impressas em 3D com filamentos vegetais ligados entre si por um sistema magnético. Enquanto jogo lúdico, cada peça possui uma cor diferente que simboliza uma emoção. Ao escolher a cor do sentimento que se quer expressar, Pin:Pin torna-se um intermediário para iniciar conversas entre pais e filhos, entres amigos, colegas ou pares. Cada peça, individualmente, assume-se ainda como um objeto funcional e decorativo. Pode ser utilizada como vaso, organizador de secretária, porta-lápis ou o que a imaginação ditar. Pode ser escultural e evolutivo, e alterado diariamente, adaptando-se aos humores e à criatividade dos seus utilizadores. As peças em impressão 3D são revestidas manualmente com couro, utilizando uma técnica chamada gainerie, que consiste em aplicar pele num objeto rígido sem serem percetíveis as suas junções.

Um produto híbrido e multifacetado, à semelhança de outros da ASA Leather Work. Porquê a aposta nesta tipologia de produto?

Sempre me interessou, no meu percurso, o conceito de módulo repetível para criar algo. É fascinante trabalhar com geometria, múltiplos de formas compatíveis que geram um objeto inovador. Não foi uma escolha deliberada: sabia que queria um objeto decorativo, mas, pela minha formação, é-me difícil criar algo sem função. Acredito que os ímanes e as formas geométricas permitem essa modularidade. Talvez tenha a ver um pouco comigo – gosto que as coisas mudem, se alterem, oferecendo novos pontos de vista e formas de ver o mundo.

Pin:Pin foi produzido com recurso à técnica gainerie. Como classifica a importância da formação ministrada pelo CTCP em gainerie para o cluster?

Foi fundamental. Não havia formação em gainerie disponível em Portugal e deslocar-me a Paris seria muito complicado. Fiquei extremamente contente: tivemos uma professora excecional do Atelier Haptique, cujas aulas foram verdadeiramente incríveis. Agradeço imenso esta oportunidade ao CTCP. Para o cluster português, a técnica gainerie tem grande importância, tanto na marroquinaria como no mobiliário. No lançamento do produto em Serralves, muitas empresas de mobiliário olharam atentamente para a técnica e pediram-me contactos para a aplicarem em alguns dos seus produtos premium. Nesse mesmo evento, ao explicar e mostrar a técnica usada, o público felicitou-me por estar a manter esse saber-fazer em Portugal, principalmente os estrangeiros.


Data Publicação: sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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