As exportações portuguesas de curtumes estão a crescer 5,8% em 2025. Até ao mês de setembro, exportaram-se 81 milhões de euros, para Espanha (recuo de 4,6% para 17 milhões), Itália (crescimento de 8,7% para 13 milhões) e França (aumento de 31,2% para 11 milhões).
Segundo o Gabinete de Estudos da APICCAPS, “este desempenho reflete não apenas a recuperação da procura externa, mas também o esforço contínuo de modernização produtiva e de adaptação às exigências globais de qualidade e sustentabilidade”.
Um crescimento que parece demonstrar que as empresas nacionais do couro estão a recuperar competitividade face a adversidades recentes, nomeadamente os ‘choques’ nos mercados internacionais e as pressões sobre os custos.
Não beneficia apenas os próprios curtumes, mas toda a cadeia produtiva. “Uma indústria de couro forte assegura o fornecimento de matéria-prima de alto padrão a fabricantes nacionais, reforçando a competitividade global da fileira”, lê-se.
Promoção do couro
São vários os argumentos usados, à escala internacional, para analisar o impacto do couro na produção de calçado. Para a APICCAPS, importa promover a matéria-prima à escala internacional e, nesse sentido, tem-no feito através de várias iniciativas que procuraram, por um lado, “desmistificar algumas ideias preconcebidas” e, por outro, “escalpelizar os argumentos competitivos que tornam o calçado em couro num produto de excelência”.
“É indiscutivelmente a melhor matéria-prima disponível no mercado”, assegura Luís Onofre, presidente da APICCAPS.
Quanto ao consumo de carne à escala global, está a aumentar e a bater recordes, com previsões de crescimento até pelo menos 2033, segundo a OCDE. A indústria do calçado promove a economia circular, com o couro usado a ser, na sua esmagadora maioria, de origem bovina.
Na sua essência, o cluster reaproveita uma matéria-prima nobre desperdiçada pela indústria alimentar. A durabilidade é outro elemento-chave na indústria. Ainda que os estudos internacionais sugiram que o período médio de vida de um par de calçado ronde um ano, no caso do calçado em couro o período de vida melhora consideravelmente; e desenvolve, mesmo, uma nova aparência que agregue valor ao produto.
Para a APICCAPS, todos os materiais têm um caminho a percorrer nos próximos anos no que diz respeito à melhoria e à integração dos seus níveis de sustentabilidade. O couro não é exceção – incluindo métodos de preparação de peles e o seu processo de curtimento, pelo que é uma prioridade no âmbito do projeto BioShoes4All, coordenado pelo CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal.
Empresas lusas presentes na Lineapelle
Há já várias confirmações de empresas de curtumes que irão integrar a comitiva portuguesa da APICCAPS e da AICEP para marcar presença na próxima edição da Lineapelle.
Com o apoio do programa Compete 2030, estarão presentes A. Castro & Filhos, Curtumes Boaventura, Dias Ruivo, Simaca ou SSS, a título de exemplo.
Para Rodolfo Andrade, da Multicouro, “a Lineapelle é fundamental para o desenvolvimento das empresas”. Em setembro de 2025, a feira que tem lugar em Milão, Itália, acolheu mais de 21 mil profissionais e 1.150 expositores.
Segundo a organização, o número de visitantes registou “uma diminuição inevitável, embora esperada, refletindo o clima económico negativo e o impacto dos inúmeros desafios externos que afetam atualmente a indústria da moda”.
Ainda assim, 21.433 profissionais, 59% proveniente de Itália e 41% de 109 países, representando mais de 7.000 empresas da cadeia de abastecimento, acudiram ao certame. “Trata-se de números sólidos que evidenciam dinamismo criativo, impulso inovador, vitalidade e oferecem confiança, apesar das dificuldades persistentes no atual cenário económico”, considera a Lineapelle.
Fonte: APICCAPS