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O “boom” dos sapatos de autor

O “boom” dos sapatos de autor

Têm design, charme para os mercados internacionais, qualidade e apostam em nichos dispostos a pagar. Os sapatos made in Portugal são cada vez mais pequenas séries de autor.
Nos últimos anos saltaram da imaginação para os pés da vida real. São sobretudo feitos e pensados por mulheres, jovens, para outras mulheres usarem. E posicionam-se para um segmento médio alto, de gente disposta a pagar a qualidade do made in Portugal.

Para perceber este verdadeiro boom de marcas de autor criadas recentemente no nosso país, apresentamos cinco marcas, criadas nos últimos três anos.

Em comum, além da criação recente, têm a qualidade, o design, a venda com recurso à internet e a aposta em pequenas produções limitadas. Saiba para onde caminham as nossas pequenas produções de autor.
 
Josefinas, o sinónimo das “sabrinas”

Chamou-lhes Josefinas e o nome é, em pouco mais de um ano, sinónimo de “sabrinas”. Arquiteta de formação, Filipa Júlio tinha bem definido o que queria criar: sabrinas, de grande qualidade, produzidas em Portugal de forma artesanal. E foi isso que conseguiu em pouco mais de um ano. Em junho de 2013 fundou o seu projeto, que usa a marca comercial Josefinas.

A produção é feita em São João da Madeira, focando-se exclusivamente em sabrinas “handmade”. A empresa que fundou em sociedade com Maria Cunha serve não só para a comercialização, mas também para a criação das sabrinas, do zero.
 
A aposta traduziu-se em vendas através de e-commerce e algumas boutiques selecionadas. O que permitiu à marca avançar além-fronteiras. As vendas no capítulo internacional incluem também a presença em boutiques selecionadas nos EUA.  
 
Com o preço médio de 110 euros por cada par, Filipa Júlio mantém a aposta na receita original: “Qualidade handmade, com os melhores materiais e conforto sem nunca descurar o lado mais stylish”, resume.
 
Os próximos objetivos passam por caminhar a passos largos para conquistar o mercado asiático.

Weekend Barber, um negócio de família 
 
Nascida numa família ligada ao mundo do calçado, Daniela Correia enveredou por outras escolhas profissionais, até o desemprego a levar a procurar o mundo do calçado como alternativa. Foi um regresso a um negócio que o pai e o avô também tiveram, embora todos em modelos diferentes (o avô tinha uma pequena oficina, o pai ligou-se à indústria). Assim, em 2012 a empreendedora decidiu-se pela fundação da Weekend Barber, marca comercial cujo nome é também uma homenagem ao avô.
 
A produção de sapatos é feita em São João da Madeira, numa aposta que foca o desenho, o conforto e o uso de pele como material de excelência.
 
A empresa que lidera tem utilizado em simultâneo e-commerce e pontos de venda físicos, o que lhe permite estar já em vários mercados europeus e asiáticos.
 
O preço médio de venda de cada par atinge os 130 euros, sendo que a produção ronda os 1000 pares a cada ano. Os próximos passos, como definiu à INVEST, passam por caminhar em direção a novos mercados, com novos produtos.
 
Guava, geométricos e coloridos 

Saltos geométricos s coloridos são a imagem de marca da Guava, empresa de comercialização de sapatos criada por Inês Caleiro. Com experiências de relevo no mundo do calçado, a empreendedora estagiou no gigante Jimmy Choo, o que lhe abriu portas no mercado.
 
A empresa comercial Guava foi criada em 2011, produz calçado de senhora e de homem, embora sejam os saltos de senhora a principal imagem de marca da Guava.
 
A produção é feita em São Roque, Santa Maria da Feira, e as vendas processam-se através de agentes e distribuidores e através da participação em feiras.
 
A Guava, que produz sapatos a um preço médio de 250 euros, está a produzir cerca de 1000 pares por ano. E já está nos mercados internacionais, nomeadamente na Holanda, na Bélgica, na Dinamarca e na Itália e nos EUA.
 
Os próximos objetivos, explica Inês Caleiro, passarão pelo “desenvolvimento de novos produtos e acessórios”.

Rumbanitas, com nome de dança

Foi numa situação de desemprego que Mariana Simões decidiu abraçar o desafio de criar a sua própria marca de calçado. Com uma particularidade: a sua aposta recaiu num nicho ainda mais específico dentro do mundo dos sapatos “de autor”. No caso, sapatos de dança. Chamou-lhes Rumbanitas, a piscar o olho à dança de origem cubana e focou-se num conceito: design e conforto associado a moda para dançar.
 
Para dar corpo ao projeto, que idealizou em 2012 mas que só começou em 2013, Mariana Simões fundou uma empresa, a Lagarriga, que comercializa a marca. Quanto à produção, a criadora firmou parceria com a empresa Queirós e Moreira, de Oliveira de Azeméis, que executa o calçado de dança.
 
A empresária, oriunda do marketing em termos de formação, fez um mestrado em Gestão de Design em Barcelona e um atelier de Design de Calçado na Lisbon School of Design, que ajudam a explicar a sua caminhada.
 
Em termos de vendas, as suas Rumbanitas, que têm apenas seis meses no mercado, estão a ser comercializadas online, pelo preço médio de 85 euros. Para já é sobretudo o mercado nacional que as compra – embora existam algumas vendas internacionais. Os próximos passos, assume Mariana Simões à INVEST, passam pela internacionalização e pela criação de mais canais de distribuição.

Shoes Closet, para calçar tradições
 
São irmãos e partilham uma ligação familiar ao mundo do calçado – são a quarta geração de família ligada ao métier. Agora, desde 2012, Miguel Marques e Helena Oliveira são também sócios no projeto SHCL- Shoes Closet. A empresa, como explica Miguel Marques, “foi criada para desenvolver uma nova marca portuguesa de calçado de âmbito global, pelo que gere e controla toda a cadeia de valor (incluindo obviamente a produção e a comercialização)”.
 
Especializou-se em calçado de senhora com posicionamento premium. Alia a qualidade dos materiais, ao design inovador, a inovação a nível do produto e dos processos. E tem como marca a incorporação de materiais tipicamente portugueses na produção do calçado. Como por exemplo as chitas de Alcobaça ou mantas alentejanas, materiais escolhidos pelos irmãos para integrar a produção. Para Miguel Marques é a história da marca ligada ao “Portuguese Hand Made”, ao “nosso património artístico-cultural e aos valores distintivos da nossa Portugalidade", resume.
 
Neste momento a empresa está presente em França, Bélgica, EUA e Japão. Durante este ano o objetivo passa por reforçar a presença no mercado Americano e penetrar no mercado Alemão.
 
Ainda de acordo com Miguel Marques, a distribuição do produto é realizada recorrendo a três canais: retalhistas, pop up stores e, claro, vendas online. O preço médio de cada par ronda os 200 euros.
 
Na hora de alinhavar os próximos objetivos da Shoes Closet, Miguel Marques explica que pretende reforçar a notoriedade da marca, em particular, nos mercados internacionais. Quer crescer de forma sustentada, aumentando a dimensão da equipa, em particular nas áreas de vendas, negociação e marketing internacional. E, assume ainda o empresário, “desenvolver parcerias dentro e fora do sector, aproveitando a complementaridade de recursos e promovendo sinergias”.

Fonte: Revista_Invest.18.set2014
Data Publicação: segunda-feira, 22 de setembro de 2014
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