A indústria portuguesa de calçado esteve reunida, no dia 29 de maio, nas Nações Unidas, em Nova Iorque, Estados Unidos, para uma sessão dedicada aos desafios e oportunidades que marcam atualmente o setor à escala global, num contexto particularmente condicionado pelo crescente ‘peso’ da Ásia na produção mundial.
O encontro, promovido pela AICEP, contou com a presença da APICCAPS e do CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, permitindo reforçar o posicionamento estratégico de Portugal no panorama competitivo internacional e apresentar a visão da fileira portuguesa para um modelo industrial mais inovador, sustentável e tecnologicamente avançado.
No encontro, foram apresentados os principais investimentos em curso, em particular os projetos desenvolvidos no âmbito do programa BioShoes4All, considerado um dos maiores movimentos de transformação alguma vez realizados pela indústria nacional de calçado – reúne empresas, universidades, centros tecnológicos e entidades do sistema científico, apostando em novas soluções sustentáveis, digitais e de elevado valor acrescentado; mereceu a atenção das Nações Unidas, entidade que pretende apresentá-lo como ‘caso de estudo’.
A delegação portuguesa destacou o esforço coletivo que o setor tem desenvolvido nos domínios da economia circular, da investigação de novos materiais, da automação industrial e da capacitação tecnológica, reforçando a posição de Portugal como uma das referências internacionais na produção responsável de calçado.
“O setor do calçado português está a viver um momento decisivo da sua história. Estamos a investir no futuro, na inovação e na sustentabilidade, com uma visão de longo prazo”, afirmou Luís Onofre, presidente da APICCAPS. “Hoje, Portugal não compete pelo preço. Compete pela criatividade, pela tecnologia, pela qualidade e pela capacidade de antecipar as exigências dos consumidores internacionais”, acrescentou, sublinhando que “importa ter consciência que há um peso excessivo do continente asiático no setor, causando grandes desequilíbrios a um comércio livre, justo e equilibrado”.
Também Luísa Correia, diretora-geral do CTCP, destacou a dimensão estratégica dos investimentos em curso. “O BioShoes4All demonstra como a cooperação entre empresas, centros tecnológicos e universidades pode acelerar a transformação industrial. Estamos a construir novas competências e novas soluções para responder aos desafios ambientais e tecnológicos que o mundo enfrenta”, enalteceu.
A presença portuguesa na ONU permitiu ainda reforçar a notoriedade internacional da indústria nacional, num contexto em que o setor exporta mais de 90% da sua produção para mais de 170 países. As entidades presentes salientaram que Portugal pretende continuar a afirmar-se como um parceiro internacional de referência no desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis para a indústria da moda e do calçado.
Nos últimos anos, a indústria portuguesa de calçado tem concretizado um conjunto de investimentos sem precedentes, apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), direcionados para a digitalização, sustentabilidade e internacionalização das empresas. O projeto BioShoes4All representa uma parte significativa desse esforço coletivo, envolvendo dezenas de parceiros e um forte investimento em investigação e desenvolvimento.
Já Carlos Moura, diretor da delegação da AICEP em Nova Iorque, destacou o trabalho conjunto desenvolvido com a APICCAPS para permitir esta presença institucional. “A AICEP tem sido um parceiro ativo da APICCAPS na aproximação às Nações Unidas em Nova Iorque, promovendo oportunidades de diálogo, visibilidade e cooperação para as empresas portuguesas. O reconhecimento demonstrado pela ONU relativamente aos projetos que estão a transformar a indústria portuguesa do calçado confirma que Portugal tem hoje uma proposta de valor diferenciadora e relevante à escala global”.
“É com particular satisfação que vemos a indústria portuguesa de calçado apresentar, nas Nações Unidas, uma visão de futuro assente na inovação, sustentabilidade e tecnologia. A AICEP tem procurado criar pontes entre as empresas portuguesas e os principais centros internacionais de decisão, e esta sessão demonstra a relevância crescente do setor português no debate global sobre desenvolvimento sustentável”, afirmou.
A sessão terminou com uma mensagem de confiança relativamente ao futuro da indústria portuguesa, reforçando a ideia de que inovação, sustentabilidade e cooperação internacional serão fatores decisivos para o crescimento do setor na próxima década e um exemplo para o futuro.
Fonte: APICCAPS
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