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Calçado português acelera rumo à neutralidade carbónica

As instalações de São João da Madeira do CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal acolheram, no dia 10 de dezembro, o evento de apresentação dos resultados do Roteiro para a Descarbonização da Fileira do Calçado, um momento para também alinhar prioridades para o futuro do cluster.

Com um programa que reuniu especialistas e oradores de renome nas áreas do ambiente, sustentabilidade e descarbonização, abordaram-se e debateram-se estratégias, impactos e resultados que acelerem os processos rumo a uma transição sustentável, ecológica e verde das empresas.

Trata-se de um projeto – iniciado nos primórdios de 2024 – que almeja alcançar a neutralidade carbónica do processo produtivo das empresas da fileira, reduzindo as emissões e promovendo a economia circular.

Nesse sentido, foram elaborados artigos técnicos de apoio e suporte, uma nova ferramenta de cálculo da pegada de carbono e de medição de GEE – gases com efeito de estufa, e ainda a implementação de um selo de descarbonização para premiar as empresas comprometidas com as metas estabelecidas.

Ao longo de toda a manhã, ficou patente a importância de uma mobilização coletiva do setor do calçado, marroquinaria e artigos de pele, apoiada no quadro Portugal 2030 e noutros instrumentos de financiamento que acelerem a transição ecológica e energética da indústria portuguesa do calçado.

Com o Roteiro para a Descarbonização, lançaram-se as bases para a aplicação prática daqui em diante, estabelecendo-se metas e mecanismos orientadores rumo à sustentabilidade, mas sem descurar a importância de manter as empresas competitivas num panorama global cada vez mais verde.

“Mobilizámos uma fileira inteira em torno de uma visão partilhada”

A abertura do evento esteve ao encargo de Luísa Correia, diretora-geral do CTCP, que recordou o “objetivo ambicioso, mas absolutamente necessário” do projeto: apoiar a indústria portuguesa do calçado na transição para a neutralidade carbónica.

“Este momento não representa um ponto final, mas o início de uma nova fase – mais madura, mais informada e mais alinhada com as exigências ambientais, económicas e sociais. Trabalhámos lado a lado com empresas, associações, especialistas e entidades públicas. Mapeámos a pegada de carbono do setor, identificámos oportunidades de redução das emissões, estudámos tecnologias, sistemas de gestão e práticas que podem transformar como produzimos, consumimos energia e utilizamos materiais. Mas, sobretudo, mobilizámos uma fileira inteira em torno de uma visão partilhada: a sustentabilidade como novo motor da competitividade”, enalteceu.

“Garantir o futuro de uma base produtiva sustentável e competitiva”

Seguiu-se a intervenção de Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS, em torno do Novo Posicionamento Estratégico para o cluster do calçado português para tornar-se numa “referência internacional da indústria e reforçar as exportações, aliando virtuosamente a sofisticação e criatividade com a eficiência produtiva, assente no desenvolvimento tecnológico e na gestão da cadeia internacional de valor, garantindo o futuro de uma base produtiva nacional sustentável e altamente competitiva”.

“Parabéns ao CTCP por concretizar este desafio”

Antes do coffee break, altura para o keynote speaker João Pedro Matos Fernandes, ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática, dar uma visão global dos desafios das e oportunidades associados à descarbonização.

Alertou para a importância de “gerir o território de outra forma”, opinando que “a descarbonização é fundamental” e parabenizando o CTCP por estar a “concretizar este desafio”. No entanto, afirma ser “praticamente impossível descarbonizar o setor da indústria a 100%”. “Vamos fazê-lo parcialmente e estamos razoavelmente no bom caminho”, prosseguiu.

Para Matos Fernandes, “o maior sucesso está na geração de eletricidade que permitiu uma redução das emissões em 83%”, anuindo que “25% da energia utilizada em Portugal é elétrica”. Referiu ainda ser vital duplicar o número de painéis solares existentes em território nacional.

“Muito tem de ser feito para reduzir o preço da energia e eletricidade. Há estrangulamento nas redes [de abastecimento]. Espera-nos muito investimento e muita discussão, e um risco mais elevado de negócio”, prosseguiu.

Abordou os maiores ‘inimigos’ do clima, a evolução das emissões rumo à neutralidade carbónica e o consumo da energia em Portugal, as previsões do PNEC – Plano Nacional de Energia e Clima, o preço da eletricidade na Europa, o investimento global em energias limpas, a taxa de reutilização de materiais e novos modelos económicos.

Impacto, práticas e financiamento no Portugal 2030

Com moderação de Sofia Fernandes, três oradores protagonizaram um momento de partilha e debate sobre o impacto, as práticas e o financiamento no âmbito do quadro Portugal 2030, associado à descarbonização das empresas.

Esta ‘mesa-redonda’ contou com os essenciais contributos de Jorge Almeida (RdA Climate Solutions), Nancy Oliveira (Portugal Production Sourcing Agency & Academy) e Maria José Teixeira (CTCP).

Concluído o painel, momento para Rui Moreira e Joana Soares, da equipa de Organização e Gestão Industrial do CTCP, apresentarem os contributos das empresas e os principais resultados do Roteiro para a Descarbonização.

Além do Roteiro para a Descarbonização, foi criada uma plataforma de partilha de informação, uma ferramenta de cálculo das emissões, cinco workshops de divulgação e mais de trinta iniciativas de capacitação e formação, sem esquecer a Carta de Princípios e o Selo de Descarbonização.

No encerramento, foram entregues os certificados às empresas que já subscreveram a Carta de Princípios – celebrando, assim, compromisso com a descarbonização; e deixando o repto a todas as outras do cluster que queiram juntar-se a este movimento.


Data Publicação: quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
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