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Project ID -Um projeto inovador

Project ID -Um projeto inovador

Paulo Sérgio e Vera Ferreira são os proprietários da Project ID. Para a abertura da empresa, as questões que surgiram foram três: “O que acrescentar de novo? De que é que o mercado precisa? Em que nos podemos diferenciar?” A resposta, essa, foi única: uma empresa de sucesso que o próprio dono define como uma “incubadora de ideias”.
 
Pensada por Paulo Sérgio, a Project ID nasceu em 2005 e é uma empresa vocacionada para o desenvolvimento de soluções inovadoras no setor do calçado. Empreendedorismo e criatividade foram algumas das características que transpôs para o seu projeto. O seu percurso na moda iniciou-se após ter tirado vários cursos. Modelação, CAD-Cam, Design e Formação de formadores foram as áreas em que se especializou. Ainda na fase de formação teve a oportunidade de colaborar numa empresa conceituada nacional e internacionalmente, onde já se trabalhava de uma forma muito desenvolvida, o que o ajudou  a adquirir novas competências e a fortalecer as que já possuía.

Quando essa mesma empresa fechou, Paulo Sérgio pensou e esboçou o seu próprio projeto. De forma a testar as suas ideias, procurou opiniões e pontos de vista de pessoas ligadas ao ramo do calçado que se mostraram positivas e o fizeram apostar, finalmente, na Project ID.
 

UM LONGO CAMINHO
 A empresa iniciou o seu percurso com apenas duas pessoas, a sua esposa, Vera Ferreira, responsável pelo planeamento, e o próprio Paulo Sérgio, responsável pela parte ligada ao design e estilismo. Inicialmente, muitas das opiniões que ouvia acerca do seu projeto diziam-lhe que este era “muito à frente” e pouco comercial. Mas tudo correu pelo melhor e começaram, entretanto, a desenvolver-se contratos de exportação com empresas que tinham uma visão mais inovadora e que possuíam marcas próprias e de referência. “Para mim foi bom porque houve uma exigência e um rigor que tiveram de existir desde o início”, confessa o proprietário.

O êxito até então alcançado permitiu que a equipa fosse crescendo lentamente, existindo hoje, na empresa de Paulo Sérgio e Vera Ferreira, uma harmoniosa combinação entre juventude e experiência. Isto, porque a sua equipa integra gente jovem e com formação específica, mas também técnicos com larga experiência no setor. Paulo Sérgio acredita que “a experiência é importante mas a irreverência também tem de existir”. O grupo de trabalho possui uma forma de estar flexível e aberta e sempre à procura de algo mais. Para os colaboradores da Project ID, “nunca uma ideia é tola”.


Paulo Sérgio acha que para desenvolver o seu trabalho é importante gostar de moda. Confessa até que “há bons estilistas em Portugal” e que “esta é a melhor fase que estamos a passar no mercado”. As feiras GDS, em Dusseldorf, e MICAM, em Milão, já ficam muito marcadas pela presença do calçado português, conclui o empresário, orgulhoso. Cerca de setenta por cento do volume total de faturação da Project ID está envolvido em ideias novas e é nesse aspeto que a empresa marca a diferença. Esta é, segundo o proprietário, “a única empresa a nível ibérico, deste género, com esta estrutura, com a diversidade de serviços que se completam até à fase final”. Paulo Sérgio faz notar que já existem vários gabinetes com esta natureza mas que ainda não possuem, porém, a maturidade da sua empresa, o que se deve aos seus já sete anos de existência. O designer descreve o seu trabalho como “um processo criativo”. A responsabilidade da Project ID é “fomentar negócio”, dar às empresas o conceito que precisam para vender e produzir. “Vender ideias, conceitos e dar acompanhamento” são, por isso, os objetivos deste projeto, que apesar de implementado em São João da Madeira já conta com clientes internacionais e colabora com marcas de todo o mundo.

A Project ID possui também muitos clientes nacionais, mas de exportação, o que acontece uma vez que a indústria do calçado português está, hoje em dia, a exportar quase a cem por cento. Fator para o qual Paulo Sérgio pensa que poderá ter contribuído. No que concerne a clientes de exportação, esses são vários. Israel, Holanda, França e Alemanha são alguns exemplos.
 
O empresário, defende uma forma de exportação mais flexível. “Hoje em dia o produto móvel é o que funciona melhor. Não comprar grandes quantidades, mas ir comprando e ser flexível na entrega. A nível europeu funciona muito bem, porque estamos próximos e quase de uma semana para a outra conseguimos entregar uma encomenda, e o cliente vende e a seguir pede mais”.

Paulo Sérgio lembra que a Project ID tem uma oficina onde lhes é permitido desenvolver os seus conceitos e protótipos e apresentá-los aos clientes que não possuem indústria de calçado própria, mas que têm comerciais que vendem os produtos. A empresa tem também recursos humanos com a função de se deslocarem às empresas de forma a efetuarem o controlo de qualidade, e que fazem, igualmente, um acompanhamento dos produtos.

Esta empresa que desenvolve soluções inovadoras tem uma parceria com o Centro de Formação Profissional de São João da Madeira, acolhendo, em estágio, alguns alunos finalistas. Dos doze funcionários que trabalham na empresa de Paulo Sérgio, mais de metade vieram do centro de formação para estagiar na Project ID. Sónia Rodrigues, vencedora do prémio “Jovem Talento” na edição de 2012 da GDS, é um desses casos. “Desde o início tive a humildade de perceber que temos de dar oportunidade às pessoas”, afirma.  Paulo Sérgio é consciente dessa realidade muito graças à sua experiência profissional, pois ele próprio estagiou numa empresa de sucesso antes de começar o seu percurso com um projeto seu, o que lhe fez perceber a importância de uma oportunidade destas para quem quer estabelecer-se no ramo. O próprio ambiente da empresa é muito positivo para os estagiários, visto que é acolhedor e lhes permite “respirar ideias”.
 
 
INSPIRAÇÃO
As feiras internacionais do setor do calçado que Paulo Sérgio faz questão de visitar frequentemente “são uma fonte de ideias”. Contudo, onde o criador mais se inspira é nas viagens que faz, nos novos lugares que conhece, nas ruas e no próprio ambiente. “Cada viagem traz algo de novo” e o nível criativo desenvolve-se com o acesso a estas novas realidades. As viagens são, confessa o criador da Project ID, o seu “suporte de reciclagem, de renovação de ideias permanente” e é isso que faz com que a evolução vá acontecendo.
 
  
FUTURO
 “Só há uma coisa que eu acho que deve mudar, e que estou a lutar para que mude”, há uma percentagem de mais de cinquenta por cento das empresas nacionais que não detêm marca própria, nem estrutura comercial, mas que têm boa capacidade e produzem bem. A função da empresa de Paulo Sérgio é precisamente mudar este panorama. O proprietário da Project ID espera que o futuro seja risonho. A sua empresa tem tido uma média de crescimento anual positiva e bastante boa, na ordem dos 30 por cento. Nestes sete anos de existência, a preocupação principal foi passar uma boa imagem da empresa, mostrar o seu prestígio e ter uma estrutura forte a nível físico, tecnológico e também de recursos humanos. Esses objetivos foram atingidos. Mas os desafios são cada vez maiores e a experiência, aliada ao facto de a equipa estar consolidada e de funcionar muito bem, ajudará, com certeza, a que o futuro continue brilhante. “Daqui pra frente haverá, obviamente, novos desafios, um dele será mudar o espaço físico” que está fracionado em duas partes, o que a nível logístico não é favorável. “Criar um espaço físico maior e aumentar o espaço da oficina” serão, portanto, os próximos passos a dar. O Santo António que vive numa das prateleiras da Project ID irá com certeza ajudar a concretizar mais este objetivo, como até aqui tem feito. Paulo Sérgio deixa claro que para além do trabalho árduo, “a paixão é o que marca a diferença” e ajuda a PROJECT ID a constituir-se como empresa de sucesso.

 

Revelação na indústria do calçado

Sónia Rodrigues venceu no passado mês de Setembro um dos prémios inovação da fileira do calçado, na GDS – International Event for Shoes & Accessories, uma das maiores feiras internacionais de calçado e acessórios.


Foi graças ao curso de especialização tecnológica em Design de Calçado que decidiu tirar há dois anos, através do Centro de Formação Profissional de S. João da Madeira, que Sónia teve a oportunidade de estar presente na feira GDS, na Alemanha, a expor um dos seus trabalhos. Esta participação valeu-lhe o Prémio GAPI, na categoria de  “Jovem Talento”. O conforto é a qualidade principal do sapato que desenvolveu, uma característica muito importante no calçado da mulher moderna. Para a criadora, o prémio que venceu em Dusseldorf constitui o reconhecimento de todo o trabalho que desenvolveu até agora.


Formada em Design e Tecnologia para a Cerâmica na ESAD das Caldas da Rainha, a ovarense de 36 anos concilia as aulas e o seu emprego na área imobiliária, onde é a responsável de marketing, com um estágio na PROJECT ID, empresa vocacionada para o desenvolvimento de soluções inovadoras no setor do calçado. A artista reconhece que nem sempre é fácil gerir o tempo, que parece não bastar para tudo. Tem sido, no entanto, capaz de conciliar todas estas atividades porque, como a própria afirma, “quem corre por gosto não cansa”.


Este estágio na PROJECT ID, onde confessa já ter aprendido muito, constitui um dos módulos do curso que Sónia está a terminar. O que a fez enveredar nesta aventura foi o gosto pelo calçado e pela moda, que “já vem de miúda”. Sónia acredita que encontrou o seu caminho e não esconde o desejo de vir um dia a ter a sua própria marca. Mesmo assim, não deixa de parte a hipótese de trabalhar com uma empresa que já esteja afirmada no mercado e de lhe poder dar o seu “cunho pessoal”. A designer admite que pode “dar algo mais à indústria do calçado”.

 

Fonte: jornal I(suplemento Negócios),10nov.2012
Data Publicação: terça-feira, 13 de novembro de 2012
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