A Sanjo está a tentar trazer de volta para Portugal a produção dos ténis atualmente feita na China, mas tem esbarrado na incapacidade técnica da indústria nacional na vulcanização da borracha da sola, afirmou o administrador Paulo Fernandes.
"Quando recomeçámos o projeto de relançamento da marca Sanjo, [decidimos que] seria produto português, marca portuguesa, produção nacional. Conseguimos tudo menos a produção nacional porque não existem fábricas de vulcanizado", disse à agência Lusa, em Londres.
O responsável garante ter procurado "formas de o poder fazer, mas tem sido difícil".
Os ténis Sanjo foram relançados no mercado em 2010, após a falência dos anteriores fabricantes, recuperando o desenho dos modelos originais para apelar às pessoas que já conheciam a marca.
Mas tem também procurado chegar a um público mais jovem, a chamada "geração que não usou Sanjo", com a introdução de muitas cores, enfatizou Paulo Fernandes.
"A grande diferença é que a Sanjo no passado vivia com duas cores, preto com branco e todo branco, em que teve bastante sucesso. Hoje, posicionamos a marca num target de moda, enquanto no passado vivia muito na parte do desporto, basquetebol", referiu.
A expansão internacional foi outro dos objetivos a que se propuseram desde o início e atualmente já vendem para a Suíça, França, Angola e Moçambique, aproveitando a presença de fortes comunidades portuguesas ou contactos de compatriotas, no caso da Finlândia.
O mercado britânico é outro que interessa, adiantou, durante uma deslocação a Londres onde esteve uma exposição sobre a evolução da marca na universidade Central Saint Martins College of Arts, no âmbito de um trabalho do académico e designer Pedro Almeida.
A marca portuguesa de calçado foi escolhida como caso de estudo para a tese de doutoramento concluída nesta universidade britânica, onde foi analisada a importância em termos de identidade cultural num contexto de globalização.
Paulo Fernandes admitiu à Lusa que está longe de recuperar o investimento feito não só na compra em hasta pública da marca como também nos esforços em produzir os ténis como eram no passado.
"Não fiz este projeto para usar a marca, fiz este projeto para fazer a marca e vai levar alguns anos a fazer. Se fosse para usar marca, eu teria de vender três, quatro ou cinco vezes mais o produto que vendo hoje para poder pagar o investimento que fiz", revelou.
A estratégia continua a ser recuperar o prestígio perdido, enfatizou: "Ano a ano, com crescimento, com a procura de novos mercados para que possamos crescer".