As empresas portuguesas de calçado estão a investir em Portugal para aumentar a capacidade de produção e dar resposta ao aumento das encomendas, depois de cinco anos consecutivos com as exportações a baterem recordes, para atingirem os 1850 milhões de euros no ano passado.
Novas fábricas, novos equipamentos, aumento de instalações, contratação de novos trabalhadores e investimentos na frente comercial é uma tendência comum a muitas das empresas da fileira do calçado, de acordo com a última edição do jornal da APICCAPS, a associação industrial do sector.
Em Santa Maria da Feira, a Ferreira Avelar investiu 400 mil euros e está a concluir uma nova fábrica junto às duas já existentes. A unidade, que deverá entrar em operação já em abril, vai receber a secção de montagem, acabamento e expedição da empresa.
Detentora das marcas Ferreira & Avelar e Profession Bottier, a empresa vai ainda inaugurar um show room em Paris, em junho. Na frente externa, o Japão é um dos novos focos de atenção da Ferreira Avelar, que em 2014 faturou 6,5 milhões de euros e exportou 98% da produção.
Com uma fábrica em Felgueiras e duas em Celorico de Basto, o grupo Carité está também a investir em duas novas unidades, em S. João da Madeira e Cinfães, tendo já aplicado meio milhão de euros na expansão da sua capacidade de produção, depois de fechar 2014 com vendas de 22 milhões de euros.
A Centenário, em Oliveira de Azeméis, está por seu turno a preparar-se para crescer e investir 1,2 milhões de euros na ampliação de instalações para aumentar em 15% a sua capacidade de produção. Em 2014, o volume de negócios da empresa rondou os 9,3 milhões de euros.
Já na Macosmi, que fatura 12 milhões de euros e detém a marca Coquettera, o orçamento previsto para crescer é de 2,5 milhões de euros e contempla duas frentes, em São Martinho do Campo, junto à sede da empresa, e em Castelo de Paiva.
Sector criou mais de mil postos de trabalho
A Malite, com sede em Felgueiras, escolheu Pinhel, onde vai instalar-se em antigas instalações da Rohde, encerradas em 2006.
O grupo Abreu & Abreu, dono da marca Goldmud, está a reconstruir uma unidade com quatro mil metros quadrados em Felgueiras com capacidade para produzir 1.200 pares por dia.
A Nobrand, marca do grupo Pedreira, de Felgueiras, com vendas superiores a 45 milhões de euros, aposta na frente comercial, com a instalação de um centro logístico em Xangai, num investimento de 150 mil euros, a que vai juntar a abertura de uma flagship store na Colômbia.
O grupo Kyaia, o maior fabricante nacional de calçado, com vendas superiores a 60 milhões de euros e uma produção de 4.500 pares de sapatos por dia, também está a expandir as suas instalações em Guimarães e em Paredes de Coura, prevendo criar mais 300 postos de trabalho no sector e duplicar a produção.
No ano passado, de acordo com os dados da APICCAPS, a indústria do calçado criou mil novos postos de trabalho e deverá aproximar-se novamente desse número em 2015.