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França, Espanha e Alemanha compensam perdas no Reino Unido e Dinamarca

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007
França, Espanha e Alemanha compensam perdas no Reino Unido e Dinamarca


O sector do calçado terá um contributo nulo, já que o aumento do valor das vendas para o exterior vai ficar estagnado em 0%, à semelhança do que sucedeu no ano passado. No entanto, ao contrário do que seria de supor, as notícias são positivas.
Pela primeira vez em oito anos, há mais empresários a admitirem aumentar o nível de emprego do que aqueles que prevêem a redução. Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS, fala de uma transição de ciclo no sentido positivo e que foi feita a assimilação, por parte da indústria, do desinvestimento estrangeiro ocorrido nos últimos anos.
As exportações portuguesas de calçado, de Janeiro a Setembro, representaram um valor global de 909,3 milhões de euros, o que se traduziu numa variação zero, face a igual período do ano transacto. A Europa continua a dominar a actividade exportadora, com um peso superior a 90% do total. A Espanha passou a ser um desígnio das empresas nacionais, posicionando-se já na quinta posição dos países importadores de calçado português, num aumento de cerca de 16%, variação muito superior à dos restantes países de eleição. A aposta neste mercado vai continuar.
Do lado contrário aparece o Reino Unido. O segundo maior mercado para o calçado português é que tem, em grande parte, desequilibrado a balança. Mesmo assim, aquele responsável da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes e Artigos de Pele e seus Sucedâneos está moderadamente optimista, apesar da quebra de 14% até Setembro, para perto de 115 milhões de euros. "A quebra nas exportações para aquele mercado tiveram a ver com o facto de algumas das empresas britânicas produtoras de calçado terem encerrado as suas potcas em Portugal, o que se reflectiu nas respectivas vendas. No entanto, há que ter em conta que não houve um afastamento radical, muitas continuam a estar presentes aos níveis do desenvolvimento e do canal de distribuição. Seja como for, a associação está a estudar novas formas de abordagem do mercado britânico, tendo em conta a sua importância em termos de exportações", referiu Paulo Gonçalves.
Entrou-se num novo ciclo
Foi chamada a atenção para o facto de, há dois anos, a quebra nas exportações se ter cifrado em quatro pontos percentuais. Os dois últimos exercícios, incluindo o deste ano, são a prova de que as empresas de calçado estão a adequar-se às novas condições de mercado. "Estamos a entrar num novo ciclo, em que se torna evidente, por um lado, o investimento feito na modernização dos factores de produção e, por outro, na promoção externa. O resultado é que muitas empresas começam a pensar em aumentar o seu pessoal, o que tem que ser interpretado como um sinal muito positivo."
Quanto ao mercado espanhol, Paulo Gonçalves admite que se venha a verificar um abrandamento nas exportações, já que é impossível manter as taxas de dois dígitos dos últimos anos. No entanto, o essencial é que o nosso produto é visto com muito bons olhos pelos consumidores espanhóis. "É fruto da lógica de prolongamento do mercado português e prende-se com o investimento anual médio de 500 mil euros naquele mercado, em termos promocionais. A Modacalzado, por exemplo, tornou-se o local de excelência da presença das empresas de calçado nacionais."
Aliás, a APICCAPS prevê que se mantenha um investimento de cerca de 13 milhões de euros na promoção externa nos dois próximos anos. Num só ano, cerca de 490 empresas estiveram presentes em 30 feiras, números que se revelaram um recorde e o interesse evidente nos mercados externos. "De notar que cerca de 90% das exportações se destinam à União Europeia. Mas é necessário ter em conta que se trata de 25 países com especifìcidades muito diversas. Naturalmente, tal não invalida o interesse por outros mercados, como são os casos da Rússia, da Polónia ou até da China. Nestes mercados vai-se manter a aposca feita pela associação do sector", garantiu Paulo Gonçalves. De notar que a, exportações para Angola, de Janeiro a Setembro, registaram um crescimento de quase 50%, para mais de 5,1 milhões de euros.
Apesar de se estar numa fase de transição de dois quadros comunitários de apoio e ainda não se saberem detalhes sobre o que irá suceder, a realidade é que a promoção externa continuará a ser a preocupação central da associação única do sector do calçado. Foi ainda realçado o facto, não menos importante, de se registar uma quebra no número de pares vendido para o exterior, mas o valor ter crescido em termos comparativos. Uma evidência que as empresas têm condições para incorporarem valor acrescentado no produto disponibilizado, tendo como base aspectos tão importantes como o design, a inovação e a criação de marcas próprias.
Melhoria continuada da conjuntura
O último estudo de conjuntura. da APICCAPS é revelador do optimismo, ainda que moderado, dos empresários do sector. No terceiro trimestre, manteve-se a tendência de progressiva melhoria da conjuntura. O número de empresas que considerou o estado dos negócios positivo superou o daquelas que acha que foi negativo. O que aconteceu pela primeira vez em cerca de cinco anos. Foram menos as empresas a revelarem problemas de escassez de encomendas.
Apesar de existirem indicadores que apontam para uma ligeira descida nas encomendas e na produção, a verdade é que há mais motivos de satisfação do que de preocupação para os próximos tempos. A melhoria do sentimento na indústria é um dado praticamente adquirido. De facto, pela primeira vez em oito anos, há mais empresas a admitirem que vão aumentar o número de colaboradores do que aquelas que vão proceder à sua redução. A maioria aponta para a sua manutenção, o que já de si é um dado positivo.
As empresas que se dedicam exclusivamente à exportação e aquelas que possuem colecções próprias são as que se revelam mais optimistas, uma situação que já se tornou habitual ao longo dos últimos anos, mesmo quando a economia global dá sinais de abrandamento. Também são estas empresas que prevêem aumentar a sua força de trabalho e realizarem os investimentos mais significativos. Finalmente, recorrem com frequência aos apoios comunitários disponíveis, no sentido do reforço dos respectivos processos de internacionalização.

 

Fonte: Vida Económica,05.Jan.07
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