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Face ao clima e aos combustíveis exportações de calçado tendem a abrandar

quinta-feira, 12 de junho de 2008
Face ao clima e aos combustíveis exportações de calçado tendem a abrandar

O sector do calçado tem revelado um desempenho invejável. O crescimento das exportações, nos três primeiros meses, cresceram 11% e os empresários estão optimistas. Acontece que começam a notar-se algumas nuvens no horizonte. As condições atmosféricas e a falta de poder de compra começam a levantar muitas dúvidas sobre a continuidade do desempenho muito positivo do sector já ao longo de mais de dois anos.
 
Um dos principais constrangimentos que se colocam, neste momento, de acordo com a APICCAPS, prende-se com o clima. O sol está a tardar e os sapatos não se vendem. Há muito que as colecções estão nos escaparates e o bom tempo teima em chegar. Por outro lado, a conjuntura tem-se agravado, em especial devido aos aumentos das taxas de juro e dos preços dos combustíveis. O poder de compra está em baixa. O calçado e o vestuário deixaram de ser produtos essenciais, o dinheiro é aplicado na alimentação.

Mas os problemas não se ficam por aqui. O negócio do calçado assumiu uma maior complexidade. Por exemplo, as empresas nacionais estão a perder, de forma continuada, quota de mercado nalguns mercados, em especial nos Estados Unidos. A subida dos preços das matérias-primas também não tem ajudado, bem pelo contrário. Muitas empresas procuram garantir as encomendas, sendo que estão em forte concorrência com os países terceiros. A agravar todo este clima, importa ter em conta que os próprios clientes internacionais estão a começar a enveredar pelo caminho de atrasarem os seus pagamentos.

De uma maneira geral, os empresários admitem que as boas perspectivas do início do ano não têm condições para se manterem. Até porque será muito difícil uma recuperação das vendas perdidas, quando os saldos já não tardam. Os indicadores internacionais recomendam mais cautela nas previsões e no «modus operandi» da indústria do calçado. É muito possível que os dias do optimismo estejam contados. Resta a esperança de esta actividade, novamente, fazer face aos tempos mais adversos.


Fonte: Vida Económica,06.jun.08

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