José Carlos Caldeira, administrador do INESC TEC e ex-presidente da ANI – Associação Nacional de Inovação, esteve na génese da constituição do CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, assumindo um papel preponderante nos ‘bastidores’ do progresso do cluster português do calçado.
Recorda que “foi preciso mudar mentalidades” e aponta como ponto de viragem para o setor “o primeiro projeto mobilizador porque permitiu implementar uma abordagem integrada e alinhada com uma visão transformadora”. Classifica o CTCP como “o melhor exemplo de posicionamento de um centro tecnológico setorial porque compreendeu, desde cedo, a importância da colaboração”.
Quando e como começou a sua ligação ao CTCP e ao setor do calçado? O que o atraiu para este universo tão específico?
No final dos anos 80, era investigador do INESC Norte e recebemos uma delegação do setor do calçado que trouxe um conjunto de desafios ao nível do processo produtivo e questionou sobre as nossas competências e capacidades para colaborar com o setor no desenvolvimento de tecnologias e soluções inovadoras capazes de dar-lhes resposta. O que mais me impressionou e atraiu foi a originalidade, à data, da abordagem. Primeiro porque foi a ‘indústria’ que veio ter com a ‘academia’ e depois porque se tratava de um setor muito tradicional, constituído sobretudo por PME, ou seja, um ambiente teoricamente pouco propício a grandes apostas em inovação e sobretudo I&D. Por outro lado, o setor estava organizado e mobilizado, tendo já desenvolvido uma visão sobre onde estava e como ambicionava evoluir, com uma estratégia e um plano de ação coerentes e credíveis. Motivou-me a embarcar naquilo que se transformou numa das maiores e melhores experiências da minha vida profissional.
Excerto da entrevista a José Carlos Caldeira, administrador do INESC TEC
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