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''A criação do CTCP foi um exercício de visão estratégica e coragem coletiva''

Revista Calçado | Entrevista a Manuel Carlos, presidente não-executivo da APICCAPS

''A criação do CTCP foi um exercício de visão estratégica e coragem coletiva''

Manuel Carlos assumiu a presidência não-executiva da APICCAPS após 40 anos a liderar a associação portuguesa do calçado. Nome indissociável do progresso do cluster, recorda a génese do CTCP – Centro Tecnológico do Calçado de Portugal, “uma ideia ambiciosa: criar um laboratório dedicado exclusivamente ao setor” num contexto exigente e marcado pela necessidade de modernizar e internacionalizar o calçado português.

Surgiu para responder a desafios estruturais, apostando no conhecimento como motor de competitividade, “um exercício de visão estratégica e de coragem coletiva”. Enaltece a atuação imprescindível do CTCP na aproximação das empresas ao sistema científico e regozija o setor ser atualmente “reconhecido internacionalmente pela sua capacidade de inovação, qualidade e diferenciação”, espelhando um percurso em que a tradição e a modernidade caminham de mãos-dadas.

Esteve na génese do CTCP. Como recorda esses tempos e que visão existia, à data, para o setor?

Há quarenta anos, num momento em que a indústria portuguesa do calçado enfrentava desafios profundos e procurava afirmar-se num mercado cada vez mais competitivo, nasceu uma ideia ambiciosa: criar um laboratório dedicado exclusivamente ao setor. Fundado em 1981, inicialmente sob a designação de Laboratório da Indústria do Calçado, afirmou-se mais tarde, em 1986, como Centro Tecnológico do Calçado de Portugal. A sua criação surge num contexto particularmente exigente, marcado por profundas transformações no país, na sociedade e na própria indústria. Portugal vivia ainda os efeitos da Revolução de Abril de 1974 e do ciclo de nacionalizações que se lhe seguiu em vários setores da economia, enquanto dava os primeiros passos no processo de adesão à comunidade Económica Europeia (CEE).

Também o setor do calçado atravessava um período de reorganização e afirmação. A APICCAPS é criada em 1975; três anos mais tarde, em 1978, é lançado o primeiro plano estratégico da indústria portuguesa do calçado e realiza-se a primeira edição da MOCAP – Mostra de Calçado Português, dois marcos importantes na construção de uma visão coletiva para o futuro do setor. A década de 1980 arrancou, por isso, num ambiente de mudança acelerada. Várias empresas estrangeiras instalaram unidades produtivas em Portugal, atraídas pelo potencial industrial do país, enquanto se consolidava a aproximação à Europa. Em 1986, com a adesão plena de Portugal à CEE, abriu-se um novo horizonte de oportunidades, mas também de exigências acrescidas em matéria de competitividade, qualidade e capacidade de resposta.

Era, por isso, fundamental preparar a indústria portuguesa do calçado para este novo contexto. O primeiro plano estratégico setorial teve precisamente esse papel: ajudar o setor a posicionar-se perante os desafios da modernização e da internacionalização. Entre as medidas consideradas prioritárias estava a criação de uma estrutura técnica especializada, capaz de apoiar as empresas, promover a inovação e reforçar a sua capacidade de adaptação. Foi desse desígnio que nasceu o CTCP.

Excerto da entrevista a Manuel Carlos, presidente não-executivo da APICCAPS

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Data Publicação: segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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