A indústria portuguesa de calçado consolidou, em setembro, o ciclo de crescimento observado ao longo de 2025, reforçando a sua posição nos principais mercados internacionais.
Entre janeiro e setembro, Portugal exportou 53,3 milhões de pares, no valor de 1.321,7 milhões de euros, o que representa um aumento de 3,8% em quantidade e 2,1% em valor, face ao período homólogo.
Um desempenho que evidencia a forte capacidade competitiva do setor num contexto internacional desafiante e marcado por instabilidade em mercados estratégicos, como o alemão ou o francês.
Por segmentos, merece destaque o calçado de segurança (+17% em valor), do calçado para criança (+6%) e do calçado em materiais têxteis (+18,8%). Já o calçado em couro, o principal agregado das exportações nacionais, manteve-se estável em valor, contrariando o ambiente global de forte pressão sobre margens e preços médios.
A Europa continua a ser o principal destino do calçado made in Portugal, absorvendo 5,9% em quantidade (47 milhões de pares) e 4,4% em valor (1.098 milhões de euros).
Saltam à vista os aumentos registados na Alemanha (+11,3% para 372 milhões de euros) e em Espanha (+20,6% para 139 milhões de euros). Em França, um mercado historicamente central para o setor nacional, registou-se um ligeiro recuo (de 0,4% para 263 milhões de euros).
Fora da Europa, mantém-se a recuperação nos Estados Unidos, após um início de ano marcado pela forte volatilidade. Embora haja um recuo de 7,9%, o setor está longe das quebras mais pronunciadas, observadas no primeiro trimestre.
Nos mercados asiáticos, continua a destacar-se o crescimento na Coreia do Sul (+18,2%) e no Japão (+4,8%), aproximando-se, ambos, dos três milhões de euros.
Para Luís Onofre, presidente da APICCAPS, estes resultados “refletem a enorme capacidade de adaptação da indústria portuguesa num momento de grande complexidade, que soube ajustar-se rapidamente às novas dinâmicas de consumo”. “O setor está, na sequência dos investimentos em curso, preparado para competir globalmente”, aponta.
Setembro assumiu uma relevância especial ao confirmar a inversão da tendência negativa registada em 2024 e ao consolidar a trajetória de recuperação iniciada no nos primórdios de 2025. “Não acontece por acaso. É o resultado de uma estratégica coletiva e de um forte investimento”, reforça Luís Onofre.
Perante estes resultados, o presidente da APICCAPS projeta que 2025 possa concluir-se como “um ano de estabilização e reposicionamento estratégico”, marcando um novo ciclo de afirmação internacional da indústria portuguesa de calçado.
Portugal cresce, concorrência esmorece
Em 2025, Portugal tem superado a concorrência direta e encontra-se mesmo a ganhar quota de mercado. Segundo dados da Eurostat, até agosto, a indústria italiana recuou 1,3% e a espanhola 3,3%. Ainda na Europa, a Turquia regista uma quebra acumulada das exportações na ordem dos 13%.
Relativamente ao maior player internacional do setor, a China, que detém uma quota na produção mundial na ordem dos 56%, regista uma queda de 9,1% (neste caso, dados acumulados entre janeiro e setembro, tal como Portugal).
Estes dados revelam, considera Luís Onofre, que “o ano de 2025 está a ser muito difícil para o setor do calçado no plano internacional”.
Fonte: APICCAPS