Já são mais de cinquenta as empresas portuguesas que estão a aproveitar a Roménia para baixarem os custos e explorarem oportunidades de negócio. Martifer, Efacec, Aerosoles e BCP são alguns exemplos.
As principais razões que levaram, cerca de 58 empresas portuguesas a investirem na Roménia foram entre outras, a mão-de-obra de baixo custo, o ‘Know-how’, as elevadas qualificações e a localização central. A entrada deste país da Europa de Leste na União Europeia (UE) veio acelerar o interesse das empresas nacionais em estar presentes neste mercado.
Um dos casos mais emblemáticos é por exemplo o da Aerosoles. É uma das empresas nacionais de grande sucesso e decidiu deslocar para a Roménia a produção de sapatos injectados à sola. “O ‘know how’ e os baixos custos da mão-de-obra foram algumas das razões que estiveram por trás da decisão de avançar para a Roménia”, explicou fonte oficial da empresa, que dá emprego a 160 trabalhadores na Roménia. A Roménia assegura na íntegra todo o processo de fabrico dos sapatos, mas depois a distribuição é feita a partir de Portugal ou do entreposto na Holanda.
São, pelo menos, quatro as empresas de calçado romenas que têm capital português. Mas no sector têxtil e do vestuário esse número eleva-se para 15. “Grande parte das empresas têxteis foi para a Roménia para beneficiar dos baixos custos de produção. A ideia é produzir para todos os mercados e não apenas para o mercado romeno”, explica Paulo Nunes de Almeida. O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) precisou ainda que “a ideia é aproveitar os salários mais baixos, as responsabilidades menores para com o pessoal – por exemplo, para despedir basta um aviso prévio de 15 dias –, e ainda aproveitar o ‘know-how’ que este mercado tem em termos de produção têxtil. Ao contrário do que acontece com a Aerosoles, as empresas têxteis optam por fazer a distribuição a partir da Roménia “porque é um mercado longínquo e os custos de transporte são muito elevados”. Além disso, reforça ainda Nunes de Almeida “quer se trate de marca própria ou de encomendas de terceiros, o ‘design’ é feito em Portugal e os produtos mais complexos também. O cerne do negócio fica sempre em Portugal”.
A ERT, empresa de revestimentos têxteis ou a Malhas Gato Preto são alguns exemplos de empresas têxteis que avançaram para este mercado. Mas há também quem desista.
Na mesma situação está a Gesfinu, uma empresas de engenharia que foi para a Roménia, Polónia e Eslováquia de mão dada com a Martifer. Mas acabou por ceder à sua posição à empresa dos irmãos Martins “por razões estratégicas”, explicou Lima Rebelo, garantindo que “a empresa continua interessada no mercado”.
Mas nem todas as empresas portuguesas que têm os olhos postos na Roménia o fazem com o intuito de deslocar parte da produção. “Muitas empresas estão a avançar porque este é um mercado com enorme potencial”, defende o economista e empresário António Nogueira Leite. “A opção não assenta apenas em mão-de-obra barata, mas das capacidades locais que permitem potenciar a actividade das empresas”, explica. Os fundos estruturais são outros dos pontos que podem ajudar as empresas nacionais a interessarem-se por este mercado, até porque como frisa Nogueira Leite “sempre que a economia portuguesa cresce pouco, as empresas portuguesas vão procurar oportunidades noutros locais”.