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Porque atrai a India multinacionais?


Porque atrai a India multinacionais?

Há alguns anos, falar de estrangeiros na Índia era falar de hippies e de outras mentes exóticas em busca do yoga, da meditação transcendental... do nirvana.
Hoje são bem diferentes as notícias que os ‘media’ internacionais e nacionais veiculam sobre a Índia: já não são apenas as vacas sagradas, nem a pobreza, nem os banhos na água lamacenta do Ganges, nem os hippies. Agora, é a abundância de cérebros preparados para o software, para a investigação, para a feitura e lançamento de satélites, para a energia nuclear, para a direcção de negócios... mas de negócios de uma dimensão mundial!
É também o seu sistema de ensino, os seus Indian Institute of Technology, os I. I. Management, as suas Escolas Médicas, etc., etc. E, tudo isso, apesar de a pobreza lá continuar também.
O dirigente máximo da IBM, Sam Palmisano, reunido em Bangalore durante dois dias com o seu Quartel General, anunciou em meados de Junho, na presença do Presidente da India, Abdul Kalam, e perante mais de 10.000 trabalhadores da IBM, que nos próximos 3 anos a IBM iria investir mais $6.000 milhões, com o que o número de trabalhadores actual de 43,000 irá dar um enorme salto, com operações de I&D e outras actividades de BPO.
A J.P.Morgan Chase noticiava o recrutamento de mais 4.500 para trabalhar na India no back office das suas operações de corretagem mundiais, onde ficará 1/3 dessa actividade do banco; já lá tinha mais de 4.000 trabalhadores na área do retalho, empresas e investimento, concentrados em Mumbai. Também HSBC, Morgan Stanley e Lehman Brothers, têm lá os maiores centros de análise financeira.
A Honeywell Int. falava do recrutamento de 5.500 investigadores e cientistas indianos para o seu departamento de R&D a instalar em Hyderabad e Madurai; já tem operações em várias outras cidades da India, concretamente Bangalore, Pune, Gurgaon e Chennai, empregando já mais de 7.000 pessoas, com 4.000 em R&D.
Já antes, a GE instalara o seu também único centro de R&D fora dos EUA, em Bangalore, que ocupa mais de 3.000 pessoas. Para além das 36.000 pessoas que trabalham noutras actividades como software, serviços financeiros, etc...
Mais de 225 Companhias das 500 da Fortune têm centros de Investigação e Desenvolvimento e Centros de design de produtos na Índia.
Tentando saber se alguma das multinacionais americanas mais conhecidas ainda não descobrira a Índia, encontrei que, quase sem excepção, todas as que lá tinham um pé, sobretudo as tecnológicas e financeiras, estavam a ampliar massivamente as suas operações. Outras, como a Wal*Mart, estavam pacientemente à espera –entretanto fazendo méritos de comprar produtos locais, avaliados em vários milhares de milhões de dólares – de que a India lhes abra uma porta para actuar como retalhista no mercado local.
E as multinacionais de raiz indiana estão a seguir o mesmo ritmo de crescimento e contratação de engenheiros e técnicos. Só como exemplo, a WIPRO, 3ª softwarehouse da Índia em dimensão, que há pouco comprou a Enabler tinha 28.500 trabalhadores em 31 de Março de 2004 e tem hoje mais de 55,000 e passará para mais de 65.000 em Março de 2007!
Multinacionais indianas estão a surgir a uma cadência vertiginosa. Quer de software (TCS, Infosys, Wipro, Satyam, HCL, etc.), de produtos farmacêuticos (Ranbaxy, Cipla, Dr. Reddy, Wockhard, etc,) de energia eólica (Suzlon), de cadeias de hospitais (Apollo, com 40 hospitais e 8.000 camas), de siderurgia (Mittal), de tractores (Mahindra), de peças de automóveis (Bharat Forge), de carros (TATA, Maruti, etc), de motos (Bajaj, Hero, etc), etc...
Para qualquer multinacional o factor custo é determinante; mas não o único. Não é menos importante a qualidade e o estar na primeira linha dos conhecimentos e das inovações. Por isso, a disponibilidade de massa cinzenta treinada, em qualidade e quantidade é crucial. Também importa a dimensão actual e potencial do mercado local. São todos estes os motivos que levam as multinacionais, sobretudo tecnológicas, a fixarem-se e a expandirem as actividades na Índia.
É ilustrativo saber que das empresas que desenvolvem software e ostentam o CMM SEI, level 5, (Capability Maturity Model, uma metodologia de refinamento dos processos de desenvolvimento de software), concedido pelo Software Engineering Institute, eram no total 117, num dado momento, com 80 delas da India.

Fonte: Diário Económico, 8.Ago.06
Data Publicação: quinta-feira, 3 de agosto de 2006
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