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Calçado português descobre sete novos destinos

terça-feira, 22 de março de 2022
Indústria chega a 170 mercados
Calçado português descobre sete novos destinos

Anguila, Madagáscar, Libéria ou Zimbabwe. Estes são quatros dos sete novos destinos da indústria portuguesa de calçado. Em 2021, pela primeira vez, o calçado português chegou a 170 países, nos cinco continentes. O setor do calçado tem feito um esforço considerável para diversificar os mercados de destino das suas exportações. Se em 2011 o peso da Europa ascendia a 93% do total exportado, em 2021, as exportações extracomunitárias já ascendem a 16% do total exportado pelo setor (o facto de o Reino Unido não integrar a União Europeia influenciam estes números, mas não são decisivos numa abordagem global).


Com efeito, a indústria portuguesa de calçado terminou o ano de 2021 a crescer 12% nos mercados externos. Os resultados superam mesmo as expectativas: o último trimestre foi já o melhor de sempre do calçado português nos mercados internacionais, para onde o setor exporta mais de 95% da sua produção.
 
Ainda que os dados internacionais apontem para uma recuperação plena do calçado a nível mundial apenas em 2023 – recorde-se que o impacto da pandemia provocou uma queda do consumo na ordem dos 20% a nível mundial, implicando uma quebra de 4 mil milhões de pares, o equivalente a 70 anos de produção de calçado em Portugal - no caso português o último trimestre do ano superou já as melhores previsões. “O setor terminou o ano a crescer a um excelente ritmo no exterior, sendo esse um registo que pretendemos manter em 2022, não obstante todas as condicionantes”, sublinhou Luís Onofre. Para o Presidente da APICCAPS “as empresas foram resilientes, adaptaram- se a um mercado em mudança e fizeram o trabalho de casa para estarem agora bem posicionadas para enfrentar uma nova década de crescimento nos mercados internacionais”.

Na totalidade do ano, Portugal exportou 69 milhões de pares de calçado, no valor de 1.676 milhões de euros. O calçado português está a crescer em todos os mais relevantes mercados, com destaque para o mercado alemão, com um acréscimo de 28% para 389 milhões de euros. Depois de meses de alguma indefinição, o mercado francês recuperou e terminou com um registo positivo: crescimento de 4,2% para 334 milhões de euros. A terminar o pódio, as vendas para os Países Baixos aumentaram 16,6% para 248 milhões de euros.

Fora do contexto europeu, realce para os bons desempenhos nos EUA (mais 15,2% para 75 milhões de euros), Canadá (mais 26,7% para 12 milhões de euros), China (mais 17,1% para 20 milhos de euros) e Austrália (mais 39,8% para 9 milhões de euros).

Em alguns segmentos de produtos como o calçado de segurança (crescimento de 16% para 29 milhões de euros), calçado impermeável (mais 56% para 56 milhões de euros) ou calçado em materiais têxteis (crescimento de 36% para 75 milhões de euros) o setor alcançou novos máximos-históricos, em matéria de exportação.
 
Em 2021, Portugal importou 44 milhões de pares, no valor de 527 milhões de euros (mais 2,7%). Feitas as contas, a indústria portuguesa de calçado contribuiu com um saldo positivo de 1.149 milhões de euros. “O calçado continua a desempenhar um papel muito relevante na economia portuguesa, sendo um dos produtos que mais positivamente contribui para o equilíbrio da nossa balança comercial externa”, recordou Luís Onofre.
 
Início de 2022 agridoce

O início de 2022 voltou a revelar-se promissor para o calçado português. Em janeiro, as exportações cresceram 15% face ao período homólogo do ano anterior.

De acordo com o Boletim Trimestral de Conjuntura da APICCAPS, “para o início de 2022, as empresas acreditam na manutenção das tendências que se têm vindo a verificar, com crescimentos adicionais das encomendas, da produção e do emprego, se estes não forem inviabilizados pela escassez de mão-de-obra no mercado”. Ainda de acordo com a mesma publicação editada em parceria com a Universidade Católica do Porto, “o otimismo é mais acentuado entre as empresas de maior dimensão e mais orientadas para os mercados externos. As perspetivas macroeconómicas para os principais mercados sustentam este otimismo, apesar dos riscos económicos, de saúde pública e geopolíticos que persistem”.

Com efeito, nas últimas três semanas, o contexto internacional  mudou de forma significativa. Conflito na Ucrânia, escalada dos preços das matérias-primas e mesmo aumento da inflação passaram a configurar como principais obstáculos ao desempenho  do setor nos mercados internacionais. 

Fonte: APICCAPS

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