Alta-costura desfila sem peles e rejeita alternativa sintética
Presença habitual no evento, as peles de animais ficaram de fora da mais recente edição da Semana de Alta-Costura de Paris. No evento parisiense, os criadores de moda mostraram também estar a rejeitar a alternativa sintética, devido ao seu caráter pouco ecológico.
A grande ausência da Semana de Alta-Costura foram as peles de animais, que durante décadas fizeram parte das coleções de outono-inverno que se apresentavam nas passerelles parisienses. Outra ausência significativa foram as peles falsas, noticia a AFP. O conjunto de designers que desenha as peças mais dispendiosas e exclusivas de todo o mundo parece ter dado mais um passo para um futuro livre de peles.
Jean Paul Gaultier
Tendo renunciado às peles em novembro, Jean Paul Gaultier substituiu-as de forma extravagante por penas, com as peles a darem também lugar ao estampado animal. «São peles falsas. Uma forma de enganar a vista. Nenhum animal foi morto ou massacrado para este desfile», esclareceu o designer francês.
Já a criadora de moda italiana Sofia Crociani provou que é possível dar o mesmo aspeto e toque das peles a partir de fibras naturais, sem recorrer a peles falsas sintéticas, um subproduto da indústria petrolífera. No seu desfile, apresentou casacos e vestidos criados a partir «de uma mistura entre seda e caxemira e seda e pelo de camelo», revelou. Segundo a designer, «todas as matérias-primas são sustentáveis e naturais. Apenas usamos as peles dos animais que comemos». Sofia Crociani recusa-se a usar peles falsas, referindo que é impossível fugir do facto de que «são plásticos, que não funcionam para mim, nem sequer reciclados».
«Não há nada de ecológico nas peles falsas»
Tendo dedicado, no ano passado, uma coleção às peles falsas, a Givenchy chegou à mesma conclusão de Sofia Crociani. «Eu sei que é uma boa alternativa, mas não sei até que ponto é que, do ponto de vista ambiental, é a melhor opção. Prefiro esperar que apareça algo mais sustentável», considera Clare Waight Keller, diretora artística da Givenchy. A casa de moda irá manter os artigos em couro e em lã, «que é um subproduto da indústria alimentar. Se não for usada, será desperdiçada», justificou.
Já a designer francesa Julien Fournie, que sempre adorou peles, parou de as usar há cinco anos, porque não conseguia ter garantia das suas origens. «Mesmo que as peles verdadeiras sejam aparentemente mais ecológicas do que as peles sintéticas – as peles falsas demoram 6 mil anos a desaparecer e as peles verdadeiras 600 anos , a dificuldade na rastreabilidade é um problema para mim», avançou. Giambattista Valli é igualmente intransigente. «Não há nada de ecológico nas peles sintéticas. São poluidoras», sublinhou.
Giambattista Valli
Jean Paul Gaultier não excluiu a hipótese de um dia reciclar as suas peles pós-consumo ou optar por usar peles verdadeiras novamente, «caso tudo seja feito corretamente e, obviamente, não usando espécies em perigo de extinção. Eu gosto muito do toque das peles, mas, para já, precisamos de nos acalmar. Vivemos numa altura em que há muito de tudo, por isso não deveríamos estar a matar animais».



