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Sapatos que fazem bem à saúde

A ICC lança catálogo especial para diabéticos e obesos e modelos à prova de bala

Nos negócios, o empresário Teófilo Leite tem dois amores: a produção de calçado profissional e a prestação de serviços de saúde. Na frente fabril, as marcas No Risk e Lavoro da ICC - Indústria e Comércio de Calçado recuperam da queda sofrida em 2009. No sector da saúde, o grupo AMI - Assistência Médica Integral, com oito unidades em funcionamento entre as quais o Hospital Privado de Guimarães, está em crescimento acelerado. Cada um dos negócios faz o seu próprio caminho, unidos pela palavra saudável.
 
O mês passado, a fábrica da ICC recebeu os 15 distribuidores europeus da No Risk. Dois deles ficaram uns dias a estagiar por representarem os novos mercados da Hungria e Sérvia. A convenção serviu para apresentar as inovações da ICC e proclamar um novo paradigma do calçado de segurança. A trilogia dos três efes – ‘functional’ (funcional), funny (divertido) e fashion (moda) — cede lugar ao novo acrónimo FHF, com a prevalência do healthy (saudável).
 
Obesidade e diabetes
 
Como pode o calçado profissional responder a doenças crónicas como a obesidade e a diabetes e contribuir para ativar a circulação sanguínea? Beneficiando de estudos de podologia e biomecânica, investigando novos materiais e inovando na forma que modela o corte e na testeira que protege o pé.
 
É nestes quatro eixos que a ICC tem centrado a sua prática recente. O resultado é a utilização de proteções anatómicas, materiais compósitos mais flexíveis (além do aço e alumínio) e recorrendo à tecnologia de injeção de poliuretano. A nova gama de testeiras patenteadas pela empresa "absorve o impacto deixando mais espaço no interior e resiste à compressão lateral", explica Teófilo Leite.
 
O industrial acredita que o recurso ao laser para a medição dos pés a três dimensões permitirá um dia fabricar calçado profissional personalizado. Até lá, aplica a sua patente Vario 3D para adaptar um mesmo comprimento a volumetrias diferentes, dimensionadas para pessoas magras, normais e obesas.
 
Exército e bombeiros
 
Entre os 100 modelos do seu catálogo, a ICC oferece botas com palmilhas à prova de bala, recorrendo ao kevlar, a fibra sintética usada nos coletes ou cintos de segurança. É ainda a primeira empresa com calçado profissional para diabéticos, que se distingue pela ausência de costuras interiores (para evitar zonas de fricção e potenciais lesões), espaço amplo e biqueira arredondada para impedir a deformação dos dedos e um ambiente que estimule a maceração da pele. A última novidade é a adaptação ao calçado profissional de uma nova sola curva que favorece a postura correta e estabiliza os músculos do corpo. O alvo são profissões, como a de carteiro, que exigem caminhadas frequentes.
 
Este ano, a ICC espera regressar ao nível de 2008 (800 mil pares e 15 milhões de euros), depois de ter caído 20% no último exercício. A exportação representa mais de 90%. A ICC opera em 30 mercados (Alemanha, Suíça e Benelux lideram), beneficiando de uma diversificação industrial que lhe permite abastecer construtores automóveis como Volvo, BMW ou Mercedes, bombeiros (Finlândia) ou mesmo exércitos (Holanda e mercados africanos). No mercado doméstico fornece empresas como a EDP, Refer ou Efacec.
 
Cada segmento profissional tem evoluído de forma distinta. As indústrias de gama mais baixa foram as que mais sofreram: a procura na construção caiu a pique. As tendências apontam para o reforço do peso dos sectores primários como a agricultura e a floresta e o crescimento das encomendas da logística e do calçado antiestático para a eletricidade e eletrónica.
 
E num sinal de que os seus negócios da saúde e do calçado andam mesmo ligados, Teófilo Leite admite a prazo deslocalizar a unidade fabril de Guimarães para Chaves, na altura em que avançar o projeto do hospital de Chaves-Verin.
 
 
Mil clientes vezes mil pares
 
Com a ofensiva asiática e transferência das grandes encomendas, o empresário Teófilo Leite combinou a aposta na inovação com uma nova lógica comercial, distribuindo o risco por uma base mais alargada de clientes. A marca No Risk permaneceu ligada a distribuidores, mas a Lavoro, de carácter mais tecnológico, apostou nas pequenas séries e ataca a base da pirâmide de distribuição. E, no âmbito do seu programa Euromilhão, traçou, há quatro anos, uma meta: vender mil pares a mil clientes. A meta mantém-se, mas este ano o resultado está ainda longe do milhão desejado. Lida com 800 clientes que fazem encomendas médias de 300 pares e representa 40% das vendas da empresa. A marca aceita encomendas a partir de 10 pares.
 

Fonte: Expresso,24.Jul.2010
Data Publicação: terça-feira, 27 de julho de 2010
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